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Uberaba, 22 de maio de 2022 -

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Antes de nossa morte

Ao se aproximar o Dia de Finados e não coincidentemente a este período que antecede o lançamento de mais dois livros de nossa autoria sobre o assunto, pretendo apresentar aos leitores uma sequência de quatro artigos tratando da cronologia da morte e do morrer, com estudos sobre antes, durante e depois da morte, finalizando com a experiência de quem fica após uma morte, os ditos enlutados.

Uma famosa psiquiatra suíça chamada Elizabeth Kübler Ross algumas décadas atrás fez um estudo muito interessante com pessoas gravemente adoecidas e conseguiu categorizar os sentimentos por elas experimentados e que podem ser observados nas situações em que enfrentamos mudanças impactantes e inesperadas em nossas vidas.

Segundo ela, negamos desejando não ser verdade o que está nos acontecendo; nos enraivecemos quando constatamos que é verdade e ficamos nos perguntando por que conosco; barganharmos com Deus por meio de promessas ou outras buscas infrutíferas tentando modificar a situação; nos deprimimos com insucesso de nossas tentativas e finalmente chegamos a uma etapa de aceitação e vamos seguindo em frente rumo ao desfecho final.

Quem entre os leitores não se recorda ter vivido tais sentimentos diante da perda de um emprego, um amor, da notícia de uma doença de difícil prognóstico que, por mais sofridos que fossem, não acabaram resultando na aceitação que nos apazigua e capacita a sobre(viver)?

Do contrário, tornamo-nos um poço de lamentações, mágoas e ressentimentos que nos paralisam bem à moda de um dito de nossa adolescência: “Quem não enxuga as lágrimas que anuviam seus olhos, não consegue ver as estrelas que continuam brilhando...”.

Se você ou um familiar querido se encontra nesta fase difícil da vida em que as esperanças de cura minaram e a morte se apresenta como única certeza, mesmo que a medicina pouco possa fazer em termos de cura e retorno ao equilíbrio atual, muito ainda se pode fazer em termos de cuidar oferecendo conforto físico, espiritual e emocional.

Seja corajoso(a) para viver este tempo que pode ser de reconciliações, desculpas, perdões, aconchego, escuta e realização de últimas vontades se você conseguir ouvir as tentativas de conversar sobre o assunto que seu familiar ou paciente tenta empreender. 

Se for a sua hora que se aproxima, encare isto de frente e procure alguém com quem você possa conversar abertamente. Esta atitude pode fazer a diferença numa sociedade que varre a morte para debaixo do tapete ou bate na madeira, fazendo com que as pessoas, mesmo cercadas de familiares, se sintam solitárias porque não encontram à sua volta alguém com quem desabafar sobre seus medos, preocupações ou com as quais possa fazer suas recomendações finais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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