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Uberaba, 22 de outubro de 2019 -

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Raissa Nascimento

Sete dias para não reclamar

Já reparou quantas vezes reclamamos de algo ou alguém durante as 24 horas de um dia qualquer? Pensando sobre uma palavra tão ausente nos ciclos sociais em que convivemos, descobri que muitos de nós estamos presos, estacionados em algumas coisas por causa dela.

Murmuração. Ato de falar baixinho, sussurrar. Sabe aqueles sons quase inaudíveis quando alguém nos dá uma bronca, ou quando balançamos a cabeça e logo verbalizamos a raiva de ter ficado uma hora na fila do supermercado, ou por ter que limpar a casa porque a diarista não o fez direito?

Ou mesmo o pensamento de por que comigo, por que agora, só comigo isso acontece? Pois é, está aí o freio que tem parado os projetos de Deus nas nossas vidas. Independente de religião, crenças, nunca ouvimos dizer que quem murmura demais é bem sucedido na vida.

Reclamar é a ação mais rápida, de alívio ilusório que nos vem quando algo dá errado. É a primeira coisa que fazemos, falamos ou nos expressamos em diversas situações. Ouvimos um desafio de um homem que decidiu por sete dias não murmurar, se queixar ou reclamar de nada que acontecesse de errado na vida.

Pensemos. Sete dias sem xingar ninguém no trânsito, sem reclamar do acúmulo de trabalho porque você está sobrecarregado. A empresa resolveu despedir muita gente. Sete dias sem queixar da sogra, do calor, do frio, da chuva, da bagunça dos filhos em casa. Aí nos perguntamos, vou falar o quê? Imaginamos o quão impossível é ficar sem reclamar de nada.

Aquele homem que citamos nos deu uma resposta simples. Ele se calou, em algumas vezes agradeceu pelo desafio das situações, mas principalmente soube ser racional e decidir o que queria cultivar. Gratidão e silêncio foram a receita para superar a vontade de murmurar e reclamar das coisas. Mais difícil do que o ato de não reclamar é lidar com o fato de que estamos parados porque não conseguimos ser gratos ou conter nossas injúrias diante dos problemas do dia a dia.

(*) Jornalista

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