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Uberaba, 07 de dezembro de 2019 -

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Marília Andrade Montes Cordeiro

Invisível

Longos relacionamentos têm o poder de anestesiar emoções, sentimentos e diálogos.

O “pertencimento” torna-se fatalidade. Nós nos pertencemos, nos possuímos e isso é o que importa.

Passa-se a ser como aquela tradicional e requintada poltrona que há tempos faz parte de nosso mobiliário. Ou quem sabe, aquele belo espelho veneziano!

Belos e adequados para o ambiente, porém um tanto sem brilho. Se moldaram tanto à paisagem que nem os notamos mais.

Hora de começar uma reforma geral.

Mudar a cor, o estilo é essencial.

Deixar o espelho longe dos olhos também é um recurso para se perceber o vazio. Se não me vejo refletido no espelho, torno-me mais alerta. Passo a procurar o que realmente existe ao meu redor e perigo maior, dentro de mim...

O aconchego do abrigo às vezes pode nos cegar.

O manual rígido da aliança permanente nos impõe regras para nos sentirmos protegidos e saber como agir. E assim vamos nos tornando transparentes, quase diáfanas.

Ocasionalmente urge que ambos fujam das amarras de informações adquiridas e que usem os recursos da sabedoria duramente adquirida no processo de amadurecimento e se reciclem.

Tomar responsabilidades por nossas escolhas é um processo difícil e mesmo assustador, mas útil antes que nos tornemos inúteis de tão invisíveis.                      

(*) Marília Andrade Montes Cordeiro
Mãe de família

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