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Uberaba, 17 de maio de 2022 -

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Região Metropolitana III

Estou encafifado com essa história de “região metropolitana” do Triângulo. Palavra que não consigo entender a possível (e por que não utópica?) criação de um fato totalmente desnecessário que atenta contra os nossos foros de civilização, organização e cultura. Tenho atinado com os meus botões a verdadeira manobra que esconde por trás desta iniciativa tão benevolente dos políticos uberlandenses que tentam ludibriar (não sei) os sempre quase inocentes políticos uberabenses...

É de pasmar que, até hoje, não tenhamos aprendido o velho ditado que “laranja madura na beira da estrada, tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé”, então, um mais conhecido ainda, “a esmola quando é demais, o santo desconfia”...

A fábula do “lobo mau” enganando o “Chapeuzinho Vermelho” é contada, de cor e salteado, pelos inocentes meninos do jardim de infância da dona Gláucia, em tempos idos. Será que ainda vamos cair nessa historinha?

Já não bastam os inúmeros “canga macaco” que Uberaba levou de Uberlândia nas conquistas que vimos fugir entre os dedos?
Não bastam a solerte inteligência e poder de persuasão uberlandense nos favores recebidos ao correr dos anos, tanto nas iniciativas públicas, quanto nas privadas? Não basta a grande visão empresarial dos nossos vizinhos em embates quase sempre vitoriosos diante dos olhos e atitudes complacentes dos uberabenses?   Será que as autoridades ainda não estão devidamente escaldadas das derrotas sofridas ao longo dos anos na disputa de benefícios e conquistas que fugiram em meio às mãos dos mandatários de Uberaba? Será preciso mais “o quê” para compreendermos a nossa fraqueza (ou burrice?) diante da esperteza uberlandense?

Uberaba, apesar da morosidade (preguiça, talvez) dos nossos homens públicos, não necessita de “aliados” mal intencionados como os que propõem aos dias atuais. Essa “região metropolitana” que muitos entendem ser “região ferropolitana”, pois, uns “entrariam” com o parafuso e Uberaba com a “porca”?

O que Uberaba conquistou em todos os setores da vida humana e urbana foram frutos de esforço, denodo e trabalho dos seus filhos.  As vitórias conseguidas e construídas custaram suor e lágrimas, noites indormidas e dias de labor incansável. A saga de luta e bravura da nossa gente começou lá atrás, na chegada dos pioneiros e caçadores de esmeraldas, no ribeirão das Lajes, onde plantaram a nossa civilização. Nunca dependemos de favores alheios, nunca furtamos nada de ninguém, nunca matamos para sobreviver, no dizer de Orlando Ferreira, o Doca, no seu livro “Terra Madrasta”, que tive a honra em transcrever no livro “Terra-mãe”, decantada de forma iluminada:

“Em ti, no teu solo estupendo, só existe a eterna beleza, é ver-te, é considerar-se acordado nas paragens do sonho: por toda parte, poesia, encanto, paisagens, maravilhosas, brilho, claridade, esplendor! No teu solo ubérrimo, das umas árvores lindas, das tuas indefinível, música sublime em concerto com o sol que canta nas alturas, a eterna canção da  luz e da lua, as sonatas do amor! Tem tudo, mas, infelizmente, estás pobre, andrajosa descalça! És honesta, mas, estás amarrada, subjugada e, assim os teus maldosos algozes, te prostituem facilmente. Estás em mísero estado, sim, e, além disso, muito desprezada e injuriada, mas, contudo, eu te amo apaixonadamente e te ofereço o meu modesto trabalho: aprende nele a odiar os teus malfeitores, só teus monstruosos e hediondos carrascos.” (pag. 32, da Terra-mãe”).

Os defensores dessa infeliz ideia não atinaram (ou não quiseram?) de criação dessa pecaminosa “região metropolitana” (ou ferropolitana?), não apresentaram uma razão, uma justificativa, por menor que seja, beneficiasse Uberaba. Vocês conhecem alguma? Apresentem-nos verdadeiros, honestos e convincentes dados dos benefícios que o projeto trará, democraticamente. Os uberabenses tomarão conhecimento em um plebiscito, se aprovarem sua criação, nos curvaremos ao desejo popular. Por ora, ficaremos na expectativa que essa “rasteira” não será dada nos uberabenses, fato que acreditamos, piamente.

Para finalizar, uma pergunta: se em mais de 160 anos nunca se cogitou desse entrelaçamento mentiroso e falso, por que agora, de um momento para outro, esta proposta veio à baila? O que está nos subterrâneos desse súbito interesse em agregar as duas cidades, num passe químico de mágica, misturar água e óleo?
À reflexão dos uberabenses...

P.S – Nota na coluna “Em foco” do extinto jornal “Cidade Livre”, em 16.10.2003, pág. 2 – há 10 anos, portanto: “realiza-se em Uberlândia o encontro de lideranças regionais e políticas do estado, a fim de elaborar pareceres e projetos para criação da região metropolitana do Triângulo e que teria como sede a vizinha cidade. Do encontro participa o dep. Paulo Piau Nogueira (PP-MG), exatamente para colocar “água no ventilador”. O parlamentar uberabense, embora favorável à criação das regiões metropolitanas do Estado, contesta o desejo e o trabalho do deputado estadual uberlandense, Geraldo Rezende (PMDB-MG), autor do projeto, e que deseja englobar todo o Triângulo, com sede em Uberlândia. Piau gritou e bateu pé: “Somos favoráveis, sim. “Desde que sejam criadas duas regiões, a de Uberlândia e a de Uberaba”. Negócio com a vizinhança, “bobeou o cachimbo cai”.

E agora, prefeito Paulo Piau?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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