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Uberaba, 19 de outubro de 2019 -

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Hugo Cesar Amaral

O eleitor irresponsável

Quem já se prontificou a debater sobre a situação atual da política brasileira e sobre o pleito que se aproxima pode perceber que a desmotivação frente ao vindouro processo eleitoral é significativa, não sendo incomum se ouvir que a melhor postura no momento é votar em branco ou anular o voto.

Nas redes sociais pululam campanhas para que haja uma massiva anulação de votos ou que se vote em branco, pois, segundo estes desinformados, um determinado percentual de votos brancos ou nulos propiciaria a anulação do pleito ou a destituição de nossos governantes. Convenhamos, nada mais insano, mas nas redes sociais absurdos ganham ares de verdade.

O que não se questiona é que, independentemente da motivação, o pleito de outubro seguramente terá a menor quantidade percentual de votos válidos dos últimos tempos.

A desilusão do eleitor brasileiro com suas lideranças políticas atingiu um nível tão elevado que o sagrado direito ao voto, conquistado e mantido a duras penas, figura hoje, para muitos, como um desagradável ônus que nos impele a sair de casa e enfrentar filas no primeiro e no último domingos de outubro. Seus reais significado e importância têm se esvanecido.

O eleitor tem o direito de anular seu voto e de votar em branco. Aliás, há na urna eletrônica uma tecla que lhe permite esta última opção. Ponderamos, porém, que as opções por voto em branco ou pela anulação constituem um desserviço imensurável à democracia e à qualidade do processo eleitoral.

Com efeito, em termos jurídicos, os votos brancos ou nulos não têm valor algum. Optar por estas modalidades de voto equivale a abster-se de participar do processo eletivo. É uma conduta de lavar as mãos, de omitir-se e permitir que terceiros façam escolhas que refletirão na vida de todos.

Em 2014, mais de 37 milhões de eleitores brasileiros se alijaram do processo eleitoral, seja não comparecendo às urnas, seja votando em branco ou nulo. Cuida-se de um contingente expressivo, com poderio para alterar o resultado da apertada disputa eleitoral.

Para o pleito de 2018 o panorama pode ser de uma participação ainda menor do eleitorado determinada, em grande parte pela exaustiva cobertura dos gigantescos esquemas de corrupção que vieram à tona nos últimos anos e que turvaram a visão do eleitor médio, incutindo no mesmo a falsa impressão de que o envolvimento em práticas ilícitas atingiria a generalidade dos ocupantes de cargos eletivos ou pretendentes aos mesmos.

Ainda que não se questione o momento crítico vivenciado, não há dúvida de que o voto consciente e meditado é a única solução efetiva e que pode ajudar na constituição de um novo quadro de comandantes isentos de manchas em seu histórico. Quem abdicar deste pensamento positivo seguramente não contribuirá para uma renovação, ainda que tímida, dos nossos quadros de representantes.

O envolvimento do brasileiro com as questões políticas e eleitorais há de transcender a mera e acomodada indignação e converter-se em ação. Ir à sua zona eleitoral e votar em um candidato adequadamente escolhido seguramente é uma providência ao alcance de todos eleitores para conseguirmos mudar o cenário político brasileiro.

Quem se omite em emitir um voto válido age com imperdoável irresponsabilidade e contribui, em boa medida, para a perpetuação deste quadro político. 

(*) Advogado

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