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Uberaba, 03 de julho de 2020 -

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Mário Salvador

Bula encabula

Já escutamos o conselho: “Se você ler bula de remédio, não vai querer tomá-lo; então, não leia”. Seria o ideal? Não sou médico e nunca pretendi me aventurar nesse campo. Mas, como paciente, às vezes preciso tomar remédios, experiência que me revelou um universo do qual não posso me esquivar; então, preferi entendê-lo melhor.

Muitas vezes, aventuro-me, com paciência, na leitura de bulas, na íntegra. E, se preciso, reexamino alguns tópicos. Certas bulas impressionam pela extensão: sessenta por dezoito centímetros, por exemplo, não é pouco. Além dos longos textos, com muitos tópicos, já encarei letras tão pequenas – pedindo uso de lupa (numa perspectiva de alguém com vista cansada) – que contrastavam com o poder substancial do remédio.

Regras adotadas, em 2009, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ditam hoje a laboratórios farmacêuticos como elaborar, harmonizar, atualizar, publicar e disponibilizar uma bula – um documento legal sanitário. Segundo essas regras, a bula para o paciente deve ter conteúdo padronizado, linguagem objetiva e clara, letra grande e texto no estilo perguntas e respostas (exemplos: “para que este medicamento é indicado”; “como este medicamento funciona”). Já informações técnico-científicas (portanto, mais complexas) vêm em bula específica do profissional da saúde.

As orientações e informações da bula quanto ao uso seguro e eficaz do medicamento vêm em tópicos: nome dele; apresentação; formas e formulações; composição (ingredientes, dosagem); armazenamento, validade; dados farmacológicos; indicações, contraindicações; precauções; interações adversas (efeitos colaterais); posologia (dosagem e intervalos de administração), superdosagem (doses altas ou em excesso). Segue-se o alerta de procurar o médico em caso de reações adversas.

O paciente é único. Uma informação secundária para um pode ser crucial para outro. “Quem lê a bula encabula”, de fato. Mas as novas regras tornaram as bulas mais objetivas e adequadas tanto para profissionais da saúde quanto para pacientes, incluindo os portadores de deficiência visual, que podem solicitar bula especial junto ao laboratório farmacêutico.
Mesmo não sendo prazeroso, ler a bula pode evitar problemas. Mais que isso, é preciso usar o medicamento como prescrito – recomendam os princípios da boa saúde. E acatar essas sugestões pode ser a tênue diferença entre viver e morrer.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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