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Uberaba, 24 de setembro de 2020 -

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Diógenes Pereira da Silva

Dia da Consciência Negra

Por que no Brasil o “Dia da Consciência Negra” é tão criticado? Alguns chegam ao absurdo de argumentar: “não há o Dia da Consciência Branca ou Amarela”. Devem-se respeitar os pontos de vista contrários, mas querer ignorar uma história de luta contra a escravidão e que marcou o mundo não representa ação de pessoas inteligentes e comprometidas com a história do seu país. Por que o dia dos negros incomoda tanta gente? Por que o Dia do Índio, que se assemelha ao da Consciência Negra, não causa tanta polêmica? 

As críticas, quase sempre, ignoram que a data é importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura brasileira. Os negros africanos colaboraram muito para a nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar, sim, valorizando a cultura afro-brasileira. Sem contarmos que, muitos, sem refletirem, ignoram a história de seus ancestrais, suas raízes e o sofrimento de pessoas que lutaram para conseguir se libertar da escravidão, uma vez que o Brasil foi um dos últimos países a libertar oficialmente seus cativos. Basta conhecer um pouco da história, ler livros, olhar fotos históricas, que nunca se verá um branco sendo escravizado, enforcado ou apedrejado até a morte apenas pela cor de sua pele. Bebedouros e banheiros distintos para brancos e negros, só para nomear alguns. Isso é uma história que nunca será apagada, em que pese contrariar os que dizem não ser racistas.

Muitos dizem que não há racismo, mas o pratica ostensivamente até contra uma data que, para a maioria dos brasileiros, tem muita importância... Que tal começar a respeitar o que a maioria representa e deseja? Para quem não sabe, ou faz questão de ignorar, a história dos negros no Brasil, o Dia da Consciência Negra, mais precisamente, também consiste em um projeto-lei, o de número 10.639, do dia 9 de janeiro de 2003. Foi escolhida a data de 20 de novembro, pois foi neste dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. É uma data que destaca de forma negativa a escravidão e a luta pela libertação do negro cativo.

Não podemos nos esquecer, de forma alguma, que sempre ocorreu no Brasil e em outras civilizações uma valorização dos personagens históricos de cor branca, mas no Brasil isso acontece como se a história do país tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes, imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares, entre outros que sempre foram considerados heróis nacionais. Agora, existe a valorização de um líder negro na história do Brasil e, portanto, espera-se que a sociedade aceite de forma democrática.

(*) Diógenes Pereira da Silva
Tenente do Quadro de Oficiais da reserva remunerada da PMMG 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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