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Uberaba, 04 de dezembro de 2021 -

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Celi Camargo

Em busca de um Brasil melhor (parte 1)

Quantas vezes já ouvimos as expressões: “é o fim do mundo!” ou “o mundo está uma loucura!”? Com certeza, centenas de vezes e em circunstâncias variadas. Na realidade, as duas frases carregam em si a força do diagnóstico de que alguma “coisa” não vai bem. E essa “coisa” é grande demais para ser verbalmente definida pelas pessoas, daí então, a opção pela generalização. Na tentativa de encontrar novos caminhos, as pessoas acabam por cometer mais erros, mais insanidades, contribuindo para agravar ainda mais esse mal. Vamos a alguns exemplos.

No ano passado, usei esse espaço para expressar o sentimento de tristeza e revolta ao ver a piscina do colégio Tiradentes da Polícia Militar sendo aterrada por falta de condições financeiras para mantê-la. Naquela ocasião, muitos acreditaram que o desabafo tratava-se apenas de um saudosismo. Nada disso. Além da saudade dos bons momentos que aquele espaço proporcionou, existia o sentimento de indignação. Aquela piscina fazia parte do patrimônio público e não podia ser destruída. Da mesma forma, a sauna que havia no extinto Centro Esportivo Tiradentes, onde foi parar esse equipamento comprado com o dinheiro público?

Aos poucos as atitudes em diferentes setores da sociedade vão burlando leis, ignorando preceitos éticos e passando por cima até da Constituição. Nesse último caso, cito como exemplo a Lei Complementar número 100, baixada pelo ex governador Aécio Neves, que dava aos profissionais da educação designados (sem concurso) o direito de serem efetivados depois de passarem pelo estágio probatório de cinco anos. A lei 100 escrita pelo Executivo e aprovada pelo Legislativo foi derrubada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) neste dia 26 de março, devido à sua inconstitucionalidade. A nulidade desta lei colocou em situação crítica cerca de 60 mil funcionários da educação no estado. Por que o governo mineiro criou essa lei que contraria diretamente o inciso II, do artigo 37 da Constituição?

A malversação do dinheiro público diz respeito a nós cidadãos. A criação de leis vulneráveis de caráter eleitoreiro requer de nós o senso crítico para a sua reprovação, bem como de quem as idealizou. Se não nos posicionarmos diante dos atos falhos que verificamos, contribuímos para a proliferação de ações que têm transformado o mundo. 

Existe no ar uma sensação de perdimento. Todos querem mudanças, mas não sabem por onde começar e equivocam-se na maneira de cobrar tais mudanças. Alguns clamam pela volta do militarismo, acreditando que a culpa está no regime democrático. Na verdade, democracia é o que temos de melhor no momento e para ficar melhor ainda basta sabermos fazer uso dela. A mudança começa de dentro. Temos que reavaliar nossas atitudes, deixar de lado a “lei de Gerson” em que se quer levar vantagem em tudo. Temos que educar melhor nossos jovens, romper com práticas políticas nocivas, sermos éticos em todos os sentidos. Só assim estaremos caminhando em busca de um Brasil melhor.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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