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Uberaba, 24 de outubro de 2021 -

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Cláudia Navarro

Uma em cada 100 mulheres sofre com abortos de repetição

Imagine tentar uma, duas, três vezes seguidas e, em todas as ocasiões, a gestação ser interrompida em menos de três meses. Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM, na sigla em Inglês), essa situação acontece com cerca de 1% da população e é chamada de aborto espontâneo de repetição. De acordo com a ASRM, ele é definido pela ocorrência de três ou mais abortos consecutivos com perdas, usualmente, no primeiro trimestre.

Segundo a especialista em reprodução assistida Cláudia Navarro, é possível identificar e corrigir boa parte dos fatores que levam a essa situação. “Mas é preciso avaliar. Em muitos casos, não há solução prática. Porém, existem possibilidades de tratamento para que a gestação siga o curso normal até o fim”, explica. 

Então, o que acontece?

1.     Causa genética. As alterações cromossômicas são as causas de abortamento mais comuns, ocorrendo em cerca de 60% dos casos, segundo a ASRM. Nesses casos, uma saída possível é a realização da Fertilização In Vitro com o chamado teste genético pré-implantacional. “Realizamos uma biópsia embrionária que possibilita analisar células do embrião e detectar alguma anormalidade genética”, explica Cláudia Navarro.

Depois, apenas o embrião saudável é transferido ao útero. “Vale lembrar que não existe um consenso de que esses testes sejam capazes de melhorar as taxas de sucesso nas gestações em todas as mulheres. Por isso, cada caso deve ser estudado separadamente”, pondera a especialista.

2.     Questões endócrinas e/ou metabólicas. Alguns distúrbios hormonais podem atrapalhar a evolução de uma gestação, como: hipertireoidismo, hipotireoidismo, elevado nível de prolactina (hormônio responsável pela estimulação da produção de leite pelas glândulas) e diabetes. “Geralmente, o tratamento é realizado com medicamento e pode ser necessária a supervisão de um endocrinologista. Se a paciente tiver ainda um quadro de sobrepeso, a dieta também faz parte do tratamento”, comenta Cláudia.

3. Causa anatômica. Existem casos em que problemas com a formação do útero ou a presença de miomas podem atrapalhar a implantação do embrião e, consequentemente, provocar um aborto. Se não avaliada na primeira gravidez, essa situação será recorrente. “Nesses casos, após a realização de exames, se houver indicação para tal, o médico pode realizar intervenções cirúrgicas”, comenta a especialista.

4. Questões imunológicas e hematológicas. Quando uma mulher apresenta doenças autoimunes, como lúpus, esclerose múltipla e hepatite autoimune, é possível que os abortos aconteçam com frequência. Nesses casos, o sistema imunológico reage de maneira contrária ao embrião, como se fosse um corpo estranho. “Aqui, novamente, cada caso deve ser identificado e tratado de forma individualizada”, alerta.

Outras doenças, que alteram a coagulação sanguínea da mulher, provocando tromboses mínimas, podem impedir a implantação do embrião. “Quando isso acontece, após identificar esse tipo de alteração na coagulação do sangue, o médico pode iniciar o tratamento com o uso de medicamentos específicos”, explica Cláudia Navarro.

5. Hábitos não saudáveis. O uso de drogas ilícitas ou a ingestão excessiva de café, álcool e cigarro pode aumentar as chances de interrupção da gravidez. “Aqui, a melhor forma de buscar manter a gestação até o fim é interromper o uso dessas substâncias”, sintetiza a especialista.

 

Cláudia Navarro

Especialista em reprodução assistida; graduada em Medicina pela UFMG, mestre e doutora em Medicina (obstetrícia e ginecologia); atualmente, atua na área de reprodução humana

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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