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Uberaba, 04 de dezembro de 2021 -

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Maria de Lourdes Melo Prais

Homenagem ao centenário de nascimento de Paulo Freire

“É uma lastima que não tenha ainda uma emissora

de TV que se dedicasse a mostrar experiências como a

de Belo Horizonte, a de Uberaba, a de Porto Alegre, a de

tantas outras espalhadas pelo Brasil” (Paulo Freire, 1977)

Da Estrada do Encanamento, bairro da Casa Amarela do Recife, surge para o mundo Paulo Freire, em 19 de setembro de 1921. A poesia do “Encanamento” revela-se profética e torna-se a vereda de toda sua existência, permeia seu ser, sua obra e expande-se pelo mundo sob forma de diálogo e libertação. Paulo Freire cresce poesia, mas poesia engajada: sua palavra possui o encantamento de suscitar homens plenos, de tecer liberdades e esperanças, de afastar o caos da ignorância, da opressão e da miséria.

Foi assim que nós, uberabenses, tivemos o privilégio de desfrutar de seu compromisso com a Educação Municipal de Uberaba, no período de 1993 a 2000.

Assim, prestar-lhe uma homenagem na comemoração do seu centenário de nascimento significa a oportunidade de estar vivenciando uma emoção muito forte e a oportunidade de poder expandir o reconhecimento pelo seu desafio revolucionário de acreditar e propor uma prática pedagógica comprometida com a transformação social.

Paulo Freire foi declarado Patrono da Educação Brasileira, no dia 13 de abril de 2012, por Lei Federal; é conhecido e respeitado no mundo inteiro como educador mundial da paz. Tanto isto é verdade que na “Revista Internacional de Educação”, produzida na Bélgica, com assinantes espalhados pelo mundo todo, datada de dezembro de 2018, circula um dossiê sobre as figuras que fizeram evoluir a educação além de suas épocas e do contexto em que apareceram. Entre outros, foram citados: Confuncius, Piaget, John Dewey, Maria Montessori, Grundtvig e Paulo Freire conhecido principalmente por seus esforços em favor da educação concebida como um instrumento na luta contra a opressão. Assim, sua presença se faz sentir na educação mundial.   

Entretanto, vivemos tempos de perplexidades excessivas e Paulo Freire, o educador mundial da paz, vem sendo ameaçado de ser expurgado da Educação Brasileira, inclusive com a proposta de retirar-lhe o título de Patrono da Educação, que por direito lhe pertence.

Neste sentido, manifestamos nossa indignação e a afeição por este homem, que lutou durante toda sua vida por uma educação verdadeiramente inserida numa política de esperança, de luta revolucionária e de profundo amor. Como amante ardoroso da educação, fez da coerência, do diálogo e da eticidade o compromisso de uma vida, enfatizando sempre na ação educativa a transformação ao invés da reforma. Além disso, apostou de modo firme e vigoroso na missão histórica dos oprimidos e no seu papel central no processo de libertação.

Nisso se localiza a originalidade de sua contribuição, ou seja, no fato de reconhecer que na politicidade do ato pedagógico está a possibilidade de se avançar historicamente criando outros contornos sociais, através da compreensão de que o equilíbrio social está na coexistência das forças opostas e que, portanto, é necessário saber conviver com as contradições, com os diferentes, sem perder a lucidez para o diálogo necessário e mais do que isto, sem perder a ternura.  

Para mim, que tive o privilégio de ser sua aluna e de desfrutar de sua convivência como amiga pessoal, falar sobre Paulo Freire significa a oportunidade de estar vivenciando uma emoção muito forte e um privilégio único: o de poder expandir o reconhecimento pelo seu desafio revolucionário de acreditar e propor uma prática pedagógica comprometida com a transformação social. Deste modo,  manifesto a minha afeição não apenas pelo homem que lutou durante toda a sua vida por uma sociedade mais justa e menos opressora, mas, especialmente, pelo educador que apontou como ninguém as possibilidades para a solidariedade global fundamentada na práxis verdadeiramente inserida numa política de esperança, de luta revolucionária e de profundo amor. Paulo Freire compreendeu e ensinou que educar é, sobretudo, amar.

Foi também assim, que ele nos fez acreditar que na ação pedagógica seria possível construir uma síntese original entre razão e sensibilidade e entre política e poesia, o que nos permitiu assumir como educadores a coragem de transgredir e de mudar, por meio da esperança, ao lado de um trabalho técnico competente, de luta revolucionária e de profundo amor à educação entendida como “CONSTRUÇÃO AMOROSA DA CIDADANIA.”

A proposta vivenciada no período de 1993 a 2000 recebeu os seguintes reconhecimentos:

1) DIPLOMA DE MÉRITO EM EDUCAÇÃO (Concedido pelo Rotary Club de Uberaba em 1993).

2) COMENDA LÚCIA CASASSANTA (Concedida pela Fundação Amae/BH, em 1994).

3) MEDALHA ANÍSIO TEIXEIRA, MÉRITO EM GESTÃO EDUCACIONAL (Concedida por Ministério da Educação, Undime, Fórum dos Conselhos Estaduais de Educação, Secretaria de Estado da Educação da Bahia, em 2000).

4) RECONHECIMENTO DO TRABALHO (Concedido pela Fundação do Banco do Brasil, Instituto Ayrton Senna e Pitágoras, em 2000).

5) PRÊMIO INTEGRAÇÃO LATINO AMERICANO (Concedido pela Câmara Internacional de Pesquisas e Integração Social, em maio de 2003).

Terminando, deixo-lhes a recomendação de Cortella: “É preciso esperançar, contra toda desesperança”.  Viver de contínuas esperanças, não é fácil, dói, machuca, rouba-nos o fôlego na subida da montanha. Mas viver órfão de esperanças é pior ainda. É suicídio lento, é morte aos pedacinhos.

Maria de Lourdes Melo Prais

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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