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Uberaba, 12 de agosto de 2020 -

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Vahid Sherafat

Pandemia foi uma grande prova-surpresa para as escolas

A pandemia de Covid-19 afetou praticamente todos os setores da sociedade, nesta que foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a maior crise sanitária mundial de nossa época. A Educação no Brasil não fugiu à regra e foi atingida em cheio, com as escolas sendo fechadas em todo o país a partir do dia 17 de março. Poucos meses atrás, quem de nós diria que o grande desafio deste setor para 2020 seria o fechamento das escolas por conta da pandemia. E que, em vez de estarmos discutindo tópicos mais propositivos como as habilidades do futuro ou modelos de avaliação, tivemos que debater esta não abertura das instituições e de toda a problemática que envolve este fato. E, mais ainda, como iríamos proceder para que o aprendizado não fosse (muito) impactado, conforme fosse transportado do ensino presencial para a educação à distância?

E, dentro deste cenário, a pandemia foi como uma prova-surpresa não somente para as escolas, como também para todos os agentes envolvidos no processo educacional: gestores escolares, educadores e pais de alunos. Observamos que as escolas que tiveram melhor resultado ao se depararem com a nova realidade de ensino remoto foram as cuja proposta guardasse maior flexibilidade em relação ao modelo de aprendizado tradicional, ou seja, que conseguissem se adaptar ao mundo digital com maior natividade e rapidez. No entanto, houve escolas que se viram completamente despreparadas para o novo panorama e precisaram correr atrás do tempo perdido.

Para estas, que precisaram agir de uma forma absolutamente emergencial, sentimos que o desempenho foi menos satisfatório. Estas instituições acabaram falhando na prova-surpresa, oferecendo um rascunho de educação à distância, sem os devidos cuidados, avaliações e aprendizados. Foi até pensando nisso que desenvolvemos um estudo inédito, o Diagnóstico Nacional da Educação, cujos resultados ajudarão diretores e mantenedores de escolas avaliarem, antecipadamente, se sairão, ao final desta crise, mais ou menos fortes do que entraram.
Para os gestores das instituições de ensino que ainda não se adaptaram ou que não tiveram feedback positivo do que foi executado, o momento é de calma. Nada está perdido. Sempre estimulamos as escolas a fugirem de fórmulas mágicas que prometam o céu e a terra e sim que busquem entender que suas próprias evoluções de metodologia de aprendizado, e perceber que elas perpassam toda a comunidade escolar. Isso é possível de alcançar com a ajuda de experimentos e, principalmente, feedbacks das famílias. Os aprendizados conjuntos, com empatia entre as partes, têm potencial de se transformarem em absolutos provedores do melhor ensino.

E os próximos anos serão decisivos no que diz respeito às escolas que vão performar melhor e àquelas que seguirão com resultados abaixo do esperado. É hora de investir em modelos híbridos de ensino, onde parte possa acontecer presencialmente e parte seja executada de forma remota, sob pena de novamente acabar surpreendido por uma mudança estrutural, mesmo que menos expressiva que uma epidemia global. Obviamente nos anos iniciais, esse uso não necessariamente vai envolver complexas tecnologias. Entretanto, há diversos exemplos de escolas que estão conseguindo trabalhar componentes de ensino à distância poderosos, sem que, necessariamente, precisem utilizar tecnologia de ponta.

Mais que tudo, o momento agora é de união. É hora de apoiar as instituições de ensino, professores, pais e alunos a se prepararem para um novo começo em breve, com a volta gradual das aulas presenciais. Mais do que pensar em um projeto a longo prazo de tecnologia, é preciso fazer isso de um jeito novo, com apoio, com compreensão e empatia.


Queremos que seja esta uma oportunidade para as escolas refletirem e se planejarem, convidando todos os agentes da comunidade acadêmica a colaborarem. É nosso dever e vontade apoiar os professores e encorajá-los. Eles são guerreiros que estão na linha de frente nesta crise, com muita garra e flexibilidade, dando continuidade a essa luta. Aos pais, fica nosso convite para que eles reflitam sobre o seu papel e entendam o potencial de sua contribuição na jornada coletiva, nessa nova escola, rumo ao novo futuro. Por fim, clamamos aos líderes e gestores de instituições de ensino, que entendam que essa nova fase tem que ser trilhada em conjunto e que se mantenham atentos às medidas de saúde, ensino híbrido e gestão, com coragem e criatividade.

Vahid Sherafat é CEO do Escolas Exponenciais

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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