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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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Semana das Crianças

Certa vez estava lendo um livro de economia comportamental e o autor fez uma pergunta que chamou muito a minha atenção: “Por quanto você venderia o seu filho?” Ao ouvir essa pergunta você acha um absurdo e prontamente responderia: Não vendo por valor nenhum. Porém observe esta outra pergunta “Se você estivesse no parque e seu filho estivesse se divertindo com uma criança, quanto você pagaria para comprar aquela criança?” Você pode achar um absurdo também, mas talvez um valor venha a sua cabeça.

Porque meu filho não tem valor algum que pague, e uma outra criança teria? Essa pergunta é usada para explicar um conceito chamado “Efeito Ikea”. Sim, Ikea é aquela marca de móveis que você compra e tem que montar seguindo as instruções, ou seja você faz boa parte do serviço. E este nome tem total relação com a venda das crianças.

Há considerável relato de pessoas que gostam mais dos móveis da Ikea que os outros da casa. Uma das causas apontas é justamente a pessoa ter que montar o produto. Ao fazer o serviço de encaixe das peças e dedicar um tempo maior ao produto avaliamos ele como superior, afinal gastamos tempo e esforço. O resultado é que acabamos tendo uma afeição maior pela escrivaninha montada do que pela comprada pronta.

E o que as crianças têm com isso? Ora, você já parou para pensar no esforço descomunal que já teve que realizar com seu filho? Noites em claro, aprender matérias da escola que nem lembrava mais, educar, alimentar, educar de novo, brincar, atenção, atenção e mais atenção. A lista ocuparia todo texto.

Bom, a questão da criança por analogia ao móvel Ikea, diz sobre este efeito que pode definição: tendemos a valorizar as coisas que dedicamos tempo e esforço para construir mais do que outros bens comuns. Ikea e seu filho tudo a ver.

Pense em outras coisas que você dedicou tempo: seu projeto do trabalho, o novo hobby de pintura que começou a se dedicar, você acha que o seu no início está ruim, mas logo perceberá que o valor dele é maior que dos outros. Você acaba tendo afeição pelo que faz.

É claro que o seu filho possui outros vínculos, como hormônios que acabam vinculando e aumentando a ligação, mas isso não vamos entrar em detalhes.

Estamos na semana da criança. Um dos principais ativos que uma criança precisa é de atenção e afeto. É uma boa semana para se dedicar e programar atividades com seus pequenos. Porém, lembre-se que a cada momento dedicado, o valor deles aumenta para você e não para os outros. Não que isso seja ruim, mas é bom que você fique atento quanto alguém fizer a pergunta estranha “de quanto você gostaria que pagassem pelo seu filho?” E para ser mais específico e útil para atividades reais, se alguém perguntar:
“Quanto você aceitaria que pagassem pelo que você fez?”.

Rafael Jordão, é psicólogo de formação pela Universidade de Uberaba, possui MBA na área de Economia Comportamental pela ESPM e é mestrando em Psicobiologia na linha de comportamento econômico na USP. Atualmente é psicólogo organizacional na Ebserh. @rafael.jordao

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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