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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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O custo de oportunidade

Recentemente o preço do arroz subiu consideravelmente. E isso assustou muitas pessoas, com razão. A questão é que existe um conceito na economia que muitas vezes não damos valor que pode fazer com que gastemos consideravelmente, e o arroz pode ser um ótimo professor neste caso.

Suponhamos que você queira comprar uma lapiseira. E ela custa R$ 11, 00 em uma papelaria do outro lado da cidade. No seu bairro ela custa em trono de R$ 20,00. Desconsiderando tempo de deslocamento, você iria para o outro lado da cidade para pegar a lapiseira? Se você respondesse como a maioria das pessoas para este problema sua resposta seria: sim.

Agora imagine que você irá comprar uma TV. Ela custa perto da sua casa R$ 909,00. Porém você ficou sabendo que do outro lado da cidade há uma mesma TV com o custo de R$900,00. Você iria até lá para buscar? Se você responder que não, acabou de fazer a mesma coisa que a maioria das pessoas.

Se você estiver lendo até aqui com atenção, já deve ter percebido algo. São os mesmos R$ 9,00 que estamos falando. Porém para um você acha viável buscar, já para outro é indiferente, e por quê? Pois nossa cabeça avalia custos em questões de contexto. 9 reais em 900 parece uma economia irrisória, porém em uma lapiseira é quase metade do valor. E aí está o custo de oportunidade.

O custo de oportunidade diz respeito a, por exemplo, uma renúncia a aquisição de um bem para que você consiga outro. E isso é algo ignorado em contextos como expliquei logo acima. Os R$ 9,00 economizados poderiam ser usados para um lanche na padaria favorita. Mas quando o contexto é de valor maior isso simplesmente é ignorado. E agora chegamos ao preço do arroz.

Um pacote que às vezes era comprado por R$ 15,00 pode estar custando R$30,00 de fato é algo alarmante, principalmente quando se trata de um alimento rotineiro na nossa mesa. O choque fica maior pela relatividade do preço (R$15 para R$30 é o dobro). Se fosse olhado em outros contextos, de gastos mensais, por exemplo, talvez ele ficasse diluído. Considere que a média que um brasileiro vive é próximo de R$500,00 per capita mês. Esse é um valor que no total poderia ficar perdido. E estamos falando de um valor mensal baixo, que mal dá para comprar as coisas.

É por isso que explico sobre este ponto, para que não fique diluído. Para que fiquemos atento. O custo de oportunidade muitas vezes é ignorado, e isso pode fazer um rombo importante na vida das pessoas.


Rafael Jordão, é psicólogo de formação pela Universidade de Uberaba, possui MBA na área de Economia Comportamental pela ESPM e é mestrando em Psicobiologia na linha de comportamento econômico na USP. Atualmente é psicólogo organizacional na Ebserh. @rafael.jordao

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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