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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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Setembro Amarelo parte 2

Ao longo do mês de setembro muito se disse nas redes sociais sobre prevenção e conscientização sobre o suicídio. Informações foram repassadas e alguns aprendizados foram feitos. Porém e agora que acaba setembro, como ficamos? O que podemos fazer?

É importante sempre ler e discutir o assunto, mesmo em outros meses, pois essas questões não costumam vim com hora marcada. E que ensinamentos podemos levar do setembro amarelo para ajudar amigos ou parentes com depressão? Aqui fiz uma breve lista. Que pode auxiliar.

1- O primeiro de tudo é procurar ajuda profissional. Psicólogos e psiquiatras são os profissionais responsáveis por essa área. O que você pode fazer é discutir sobre a importância de um tratamento, combatendo desinformações como “é falta de trabalho” e ou “se quiser ele sai, falta vontade” a isso se combate com informação. Costumo dizer, que se for por falta de vontade que a pessoa sai da depressão, então é por falta de vontade que alguém com asma não respira. E nós sabemos que não é assim.

2- Ajudar amigos ou parentes com depressão pode ser desgastante. Quanto a isso é importante que você também se cuide. Ter um tempo para você. Caso perceba que sua vida está se atrapalhando e incomodando com os rumos que está levando você também pode cogitar ajuda de um profissional.

3- Desenvolva questões relacionadas a escuta empática. Este tipo de escuta leva tempo e treino, mas os princípios básicos são importantes e fáceis de assimilar. Se alguém está contando algo para você, então escute e esteja lá para a pessoa, é simples assim. Ao contar momentos difíceis do dia a última coisa que a pessoa quer é ser comparada com “A você não conseguiu tomar banho, mas a filha da vizinha tomou mesmo com depressão”. Isso simplesmente só atrapalha. A escuta empática vem do princípio de você estar ali pela pessoa, e o que ela está contando é importante. Não é uma disputa de tragédias. Escutar sem tentar avaliar não é tarefa fácil. Então se sentir uma urgente necessidade de falar, questione tentando entender a situação sem nenhum tipo de julgamento.

4- Seu amigo ou familiar está acompanhando com terapia o que é ótimo. O que você pode fazer para ajudar? Reforce ele ter ido na terapia. O tratamento às vezes é longo, e seu apoio pode ser importante. Questione como anda a terapia, ligue no dia da terapia após a sessão e pergunte como ele está. São detalhes que contam muito.

5- A depressão não é simplesmente a pessoa ficar triste. Ela ataca outras áreas como a energia do indivíduo. A fadiga se torna comum e fazer atividades que antes eram fáceis passam a ser de um esforço gigantesco. Você pode se oferecer para ajudar com tarefas rotineiras, caso seja possível. Assim, se seu amigo ou parente possui uma conta para pagar no dia, você pode oferecer para ir ao banco para ele. Ou buscar algo que ele esteja necessitando. Questões que são urgentes, que para a pessoa é difícil de realizar, você pode ajudar e diminuir muito a angústia dele.

6- Faça convites soltos. Este ponto é interessante. As relações sociais de uma pessoa com depressão ficam comprometidas, reunir com amigos que antes era legal, pode passar a ser uma atividade sem graça. Convide seu amigo para fazer atividades com vocês. É sútil a linha, mas convide de forma despretensiosa mostrando que se ele não for não tem problema algum. Pois haverá novamente outra oportunidade em breve. Porque se ele perceber como uma obrigação de ir e não ir, a situação pode aumentar a culpa e piorar. Assim, faça convites soltos, sempre mantendo contato.

Esses são alguns pontos que você pode fazer para ajudar pessoas próximas com depressão.

Rafael Jordão, é psicólogo de formação pela Universidade de Uberaba, possui MBA na área de Economia Comportamental pela ESPM e é mestrando em Psicobiologia na linha de comportamento econômico na USP. Atualmente é psicólogo organizacional na Ebserh. @rafael.jordao

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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