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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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O novo normal no trabalho: integrar comunidade e colaboração

Estamos assistindo a uma transformação organizacional e como isto está afetando a natureza do trabalho, o mercado está passando por uma mudança sem precedentes e fazendo com que as pessoas repensem em seu estilo de vida. Hoje, a realidade para muitos é que o local de trabalho se integrou ao espaço em que relaxamos, comemos, exercitamos e dormimos, experimentando uma integração entre a vida profissional e pessoal.

Nosso entorno muda conforme nosso dia a dia e nossos comportamentos se definem em função de influências que recebemos, sendo essas ambientais, individuais, vinda de processos psicológicos ou das decisões que tomamos. Estamos acostumados a adquirir cada vez mais e de que qualquer novidade é sempre melhor. Durante esta quarentena os padrões de gastos mudaram, hoje as compras se baseiam na extremidade da pirâmide da hierarquia de Maslow, nossas necessidades fisiológicas (comida, água, abrigo, saúde…) refletindo os novos consumos voltados para compras de supermercados e novos usos domésticos, que poderão ou não serem mantidos por escolha ou pela circunstância do momento que continuaremos vivendo, é o pararmos para analisar o que realmente é suficiente e necessário.

O vírus já está promovendo mudanças em nossos comportamentos e o local de trabalho não é exceção, o estilo de vida acabou fazendo com que passássemos, mesmo sem perceber, muito tempo em ambientes fechados. Com aumento da tecnologia e de empregos em escritórios, houve uma mudança na sociedade em relação ao tipo de trabalho, surgindo uma geração de costumes internos.

A sobrecarga de informações variadas faz com que nos sentimos ansiosos, a crise aumentou nossa complexidade e incertezas. Devemos tentar nos manter inquietos e buscando novos aprendizados, e é através dessa curiosidade que quebramos o nosso medo, uma nova onda de mudanças chega e é preciso comprometimento, persistência e capacidade de remar conforme esta maré.

A pandemia está forçando as pessoas a pensarem em um mundo mais auto-suficiente, com uma construção voltada para edifícios auto-sustentáveis trazendo uma mudança ainda maior na indústria da arquitetura, usando recursos mais naturais e trazendo uma visão de uma vida mais simples. As iniciativas de construção ecológica passaram por um movimento dominante, essa evolução da construção para melhorar o planeta, no entanto, ignorou em grande parte as pessoas que os habitam. Esses novos tempos nos fazem enxergar a relevância do bem estar dos funcionários, são pessoas reais que devem ser incentivadas a se auto-cuidarem e a pensarem no próximo. O design é capaz de mudar comportamentos, e essa mudança repentina tem que criar uma relação entre a continuidade dos negócios e o bem estar dos funcionários, é preciso criar segurança para essa transição lenta e cautelosa.

Toda essa mudança vem com a flexibilidade em relação a horários, novos modos de trabalho, melhorias no bem estar e abrindo espaço para que as empresas demostrem interesse em seus funcionários. Será necessário repensar em layouts, distanciamento social, realização de triagem dos sintomas, distribuição de materiais, limpeza mais frequente e visível que criem a sensação de conforto para os trabalhadores, além de um feedback crítico das partes dos interessados é crucial para o aprimoramento e o desenvolvimento de medidas para avançar em direção em como melhor se adaptar. Muitos escritórios não tem acesso ao ar fresco e em sua grande maioria apenas re-circulam o que está dentro, será necessário trabalhar em novas diretrizes, criar maneiras práticas para espaços internos mais saudáveis e entender como as instalações podem ser projetadas para maximizar hábitos positivos e reduzir influências negativas. Como o design biofílico, hoje utilizado ao integrar aos ambientes elementos naturais como plantas e luz solar, reduzindo nossos níveis de estresse e trazendo benefícios para a saúde.

A qualidade de vida no trabalho é um dos novos desafios para a administração contemporânea, afeta a vida dos indivíduos e consequentemente sua produtividade, somos seres complexos, feitos de emoções, sentimentos e identidade. Os funcionários estarão de olho em locais que promovam iniciativas de bem-estar, e as empresas passarão cada vez mais enxergar como essa troca pode levar ao benefício mútuo de uma população, podendo gerar melhores resultados, oferecer um serviço superior e aumentar a produtividade, tornando a organização um local onde eles queiram ser e trabalhar. É preciso continuar remando.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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