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Uberaba, 22 de maio de 2022 -

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13 DE MAIO EM TEMPO DE EPIDEMIA E DE ATROCIDADES

O racismo persistente na sociedade brasileira legitima a opressão e marginalidade relacionada ao negro desde a escravidão. Ele faz com que muitas das atrocidades vivenciadas pelo povo negro permaneçam invisíveis para a maioria da sociedade. Em pesquisa recente, o IBGE afirma que os negros são 75% dentre os mais pobres; brancos, 70% entre os mais ricos. Essa questão liga o povo negro aos piores indicadores de renda, de escolaridade, de boas condições de habitação e também com pouco acesso à saúde.

Assim o povo negro fica também mais exposto a mazelas como tuberculose, diabetes, hipertensão e, portanto, mais exposto aos agravamentos da covid-19. Ainda que pese a subnotificação e a falta de dados totalizantes é observável a periferização da epidemia. Já tivemos, inclusive, declarações de autoridades e empresários de que a classe alta já está livre da epidemia e que o desafio agora são as favelas.

Se é esta a constatação – e com os números alarmantes de infectados e de óbitos – por que a insistência com o fim do isolamento social? Por que tanta insensibilidade com uma dor que deveria ser coletiva?

Me lembra a fala do sociólogo Jessé Souza ao abordar o patrimonialismo da escravidão. Ele diz que as máscaras modernas da herança escravocrata – usadas para camuflar o racismo e intolerância – se manifestam como ódio aos pobres que são, plagiando Caetano, quase todos pretos.

São, portanto, os negros, periféricos e pobres que devem se arriscar agora, sob uma epidemia, para garantir aos eleitos do sistema uma quarentena mais suave.
São eles que devem se arriscar nas filas do auxílio emergencial.

Que, preferencialmente, morrerão em casa, sem diagnóstico, sem a totalização da sua história.

Por isso, hoje, 13 de Maio, é dia de luta. Negros e brancos antirracistas erguem a voz ainda mais alto para dizer: chega de necropolítica, chega de namoro com o fascismo e, em tempo, abaixo a princesa e seus devotos.

Professora/doutora Maria Cristina de Souza, coordenadora do Programa de Extensão de Temas Raciais, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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