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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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O dia de 132 anos

Hoje comemoramos 132 anos do “fim” da escravidão no Brasil, o último país das Américas a libertar o povo negro. Artigos de jornais da época diziam explicitamente que se “a Realeza libertar seus escravos, o Brasil quebra”... A abolição foi consumada, mas o país não quebrou. Passados 40 anos sem a devida inclusão, muitos trabalhadores negros continuaram trabalhando em troca de comida e teto. Foi quando Getúlio Vargas proclamou a CLT, visando garantir direitos básicos ao trabalhador brasileiro. Por 80 anos os descendentes daqueles que pregavam que o Brasil iria quebrar com a abolição continuaram a pregar que o Brasil não crescia e iria quebrar devido aos direitos trabalhistas, mesmo com vários registros de trabalho escravo e população vivendo com renda mínima para sobrevivência. Em 2017, sob o argumento de que indústrias não se instalavam no Brasil devido aos sindicatos e direitos trabalhistas, foi proclamada a Reforma trabalhista, com a proposta de geração de emprego em detrimento dos direitos trabalhistas, senão o Brasil vai quebrar... os números oficiais da OIT, organização internacional do trabalho, mostram que não houve a propalada industrialização, tampouco a sonhada empregabilidade. Em 2020, uma pandemia Mundial assola a sociedade e milhares de famílias sequer têm a oportunidade de se despedir dos seus entes, para evitar contaminação. O único remédio é o isolamento social. Os mesmos descendentes dos outros dois períodos que antes pregavam nos jornais a quebra do Brasil agora utilizam as redes sociais para reafirmar o discurso: “Se o Brasil fizer isolamento, o País quebra”. Nota se que passados 132 anos a fala se perpetua, não mudou, a sociedade brasileira não evoluiu a ponto de se ver como uma Nação, onde a inclusão é programa de governo. A inclusão ainda é combatida e a segregação social e racial ainda é claramente defendida. O problema do Brasil continua sendo a senzala, a periferia, a pobreza! Quem venceu vindo desse gueto foi por “favor da família que trabalha” ou “mérito” individual, o que alimenta o segregacionismo e o individualismo do cidadão. 13 de maio já é um dia que dura 132 anos... Durante essa semana vamos pontuar mais questões. Bom dia!

Adriano Leal
Advogado
 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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