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Uberaba, 22 de maio de 2022 -

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Por que devemos falar sobre o suicídio durante a pandemia?

Com esse pequeno artigo de hoje pretendemos levar uma mensagem de esclarecimento sobre o que é o suicídio, trazer alguns dados no contexto de saúde pública e fazer um convite para você. Inicialmente, gostaríamos de sugerir uma definição de suicídio como uma atitude intencional de tirar a própria vida. A visão das tradições psicoterapêuticas tende a ser convergente que o suicídio é uma alternativa para aqueles que estão em sofrimento profundo. Conforme veremos, a busca por alternativas é o que sustentará nossa ação para preservar a vida.

No Brasil, temos uma quantidade média de seis pessoas que cometem suicídio por 100 mil habitantes, taxa essa que se eleva para mais de sete para o sexo masculino e fica próxima de dois para o feminino. Alguns dados estimam que, em média, 15% a 25% das pessoas que tentam suicídio cometem nova tentativa até o ano seguinte e cerca 10% de fato cometem suicídio num período de 10 anos. Ao longo da vida, de cada 100 pessoas, 17 chegam a pensar em suicídio, cinco a planejar, três chegam a tentar e apenas uma pessoa chega a ser atendida em um pronto-socorro.

A pandemia de coronavírus configura um momento de exceção histórica, em que vemos altas taxas de desemprego, elevação do custo de vida, crise sanitária, educacional, de abastecimento, mais de meio milhão de mortes, incertezas sobre o futuro individual, familiar, político e social. Esse tipo de situação pode levar as pessoas a uma crise, a uma espécie de colapso existencial. O que traz consigo sentimentos de angústia, desamparo, sensações de esgotamento emocional, estresse e falta de perspectiva quanto ao futuro. Esse tipo de configuração pode ser um fator de vulnerabilidade, ou seja, algo que predispõe as pessoas a pensarem com maior convicção sobre o suicídio por causa dessa situação de intenso sofrimento. Vemos aqui, então, que existem condições que facilitam esse tipo de pensamento/comportamento, tais como desemprego, isolamento social, migrantes, perdas recentes, alguma condição psiquiátrica, ser do sexo masculino, alguma tentativa de suicídio prévia.

A partir dessas informações, duas questões podem ser colocadas: O que eu, enquanto indivíduo, posso fazer para lidar com isso, e o que nós, enquanto sociedade, podemos fazer para lidar com isso? Tente identificar o que te causa sofrimento, mas também o que te alivia. Pense em como maximizar o que te alivia e tente diminuir a exposição daquilo que te causa sofrimento. Procure ajuda de amigos, apoio religioso e de profissionais de Saúde, caso esteja muito difícil para você. Enquanto sociedade, nós podemos ficar alertas para os sinais de pessoas próximas e acolhê-las, sendo empáticos, e não julgadores.

 

Matheus Felix Ribeiro

Psicólogo cognitivo-comportamental; doutorando em Neurociências (UNB); vice-presidente do IBDFAM-Uberaba

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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