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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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Luto: o que é e como lidar com ele

O luto é um processo natural de adaptação diante de um rompimento de um vínculo significativo. Comumente, nós associamos luto à perda de uma pessoa querida, porém, essa não é a única condição que pode levar alguém a passar por um luto. Uma amputação, o término de um relacionamento, o diagnóstico de uma doença grave, a perda de um animal de estimação, um aborto, o desemprego, um processo de aculturação e até a aposentadoria podem também ser ocasiões que geram esse sofrimento.

Normalmente, aqueles que estão em processo de luto experimentam intenso sofrimento quando da perda, porém este tende a diminuir sua intensidade com o tempo, uma vez que aprendemos a significar o vínculo. Porém, para algumas pessoas, o sofrimento é intenso demais, muito prolongado ou ainda atrapalha a vida cotidiana. Nesses casos, é aconselhado o acompanhamento de um profissional especializado.

O luto é uma experiência individual, porém, existem algumas situações que podem torná-lo mais difícil, tais como: falta de apoio social, falta de espaço para expressar o luto, dificuldade de relacionamentos, depressão e uso abusivo de álcool e outras drogas. Nesses casos, o apoio familiar, religioso, de amigos e de profissionais da Saúde se tornam alicerces importantes para o enfrentamento de lutos complicados.

Os sintomas normalmente das pessoas com luto prolongado podem ser divididos em algumas categorias. Nos sentimentos, é comum as pessoas sentirem tristeza, raiva, culpa, solidão, medo e desamparo. Nos pensamentos, é possível que a pessoa queira estar com o falecido, tenha preocupações constantes, confusão mental. Nos comportamentos, podem ocorrer problemas e sono, de apetite, isolamento social, sonhos com a pessoa morta, choro e evitação de coisas/lugares que lembrem o falecido. No corpo, pode aparecer um nó na garganta, hipersensibilidade aos barulhos, falta de energia. Também é comum que as pessoas questionem sua própria religiosidade.

Uma das formas de lidar com o luto é por meio da externalização da dor. Isso pode ser feito por meio de registro escrito, como uma carta ou desenho. Esse processo estimula a conexão com as memórias e permite a pessoa entrar em contato com seus sentimentos, diminuindo a evitação que muitas vezes ocorre. É também recomendada a realização de cerimônias grupais para prestar homenagem ao falecido, por exemplo, por meio do conto de histórias sobre os momentos vivenciados conjuntamente.

O luto é um processo individual e social. Em alguns casos, esse processo pode se tornar uma experiência de intenso sofrimento. Porém, se o enlutado tiver um suporte social forte, o luto pode se tornar um evento menos aversivo. Concluímos recomendando o possível papel ativo e responsável que cada um de nós tem para com os enlutados, no sentido de uma ética humanizada, acolhedora e cuidadosa com o outro nesse momento da perda, de expectativas não realizadas e de palavras silenciadas.

 

Matheus Felix Ribeiro

Psicólogo cognitivo e Doutorando em Neurociências (UNB)

Vice-presidente do IBDFAM-UBERABA

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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