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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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A quem pertence a vida? Algumas questões sobre o suicídio

Esse provocativo título vem no ensejo do mês de prevenção ao suicídio - Setembro Amarelo. Gostaríamos de refletir sobre essa matéria a partir de quatro diferentes perspectivas: uma jurídica, uma religiosa, uma familiar e uma individual.

Do ponto de vista legal, o direito à vida é constitucionalmente assegurado em seu artigo 5º e trata-se de um direito de caráter inviolável sendo um pré-requisito para a existência jurídica de uma pessoa. Essa caracterização é um dos parâmetros para os legisladores decidirem sobre matérias como o aborto e a eutanásia. Portanto, se a vida é um direito assegurado pelo ordenamento jurídico, de caráter inviolável, como compreendemos legalmente o suicídio?

Do ponto de vista individual, o suicídio normalmente é visto como um ato deliberado de cessação da vida em razão de um sofrimento insuportável cujo qual a pessoa por vezes não possui algumas habilidades para lidar com a situação ou não está em condições emocionais. Existem outros tipos de suicídio, como aqueles praticados por monges asiáticos por autoimolação ou até os kamikazes que se suicidam por algo que creem ser um bem maior. Uma característica marcante individual é a desesperança e a perda do sentido de vida. Caso você se identifique, procure ajuda. O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um recurso que pode auxiliar. Entre em contato gratuitamente pelo número 188 ou pelo chat www.cvv.org.br.

Do ponto de vista familiar, cada família traz consigo uma série de valores e expectativas sobre si e sobre cada um de seus membros. A dinâmica familiar e a maneira como esta lida com seus próprios problemas pode tornar um ambiente mais acolhedor e menos aversivo. Você ouve os membros de sua família? É capaz de receber seu sofrimento? Se alguém fala sobre suicídio à sua volta, qual a primeira atitude que você toma?

Do ponto de vista religioso, o suicídio pode ser considerado uma violação ao mandamento “Não matarás”. Para você, a vida é uma dádiva divina? O ser humano teria direito sobre sua vida ou isso iria contra os desígnios de Deus? 

Responder perguntas como as que foram postas ao longo do texto nos ajudam a perceber qual a nossa percepção sobre o suicídio e refletir sobre a nossa atitude para com a pessoa suicida. Será que nós os martirizamos pelos seus atos? Os consideramos pecadores, como pessoas com questões de sofrimento, como indivíduos como quaisquer outros, como pessoas que precisam de acolhimento? Perguntas como essas nos ajudam a refletir se nossa sociedade e nossos indivíduos estão aptos a lidar com a questão do suicídio.

Psicólogo cognitivo-comportamental; doutorando em Neurociências (UNB); vice-diretor do IBDFAM-Uberaba

Contato: matheusfelix.psi@gmail.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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