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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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Divórcio, pandemia e intimidade: algumas reflexões

Durante a pandemia de Covid-19, um tema que tem ganhado bastante destaque nas mídias, nos consultórios médicos e psicológico se entre advogados é a questão do divórcio. Para termos uma ideia da proporção, segundo a plataforma Divórcio Virtual, a quantidade de divórcios de março a maio subiu 30% em relação ao trimestre anterior. Porém, esse fenômeno não se restringe apenas ao nosso país.

Essa tendência de elevação de pedidos também foi notada na China, na Itália e em Portugal. Esses dados nos ajudam a levantar algumas hipóteses sobre os motivos que fazem com que as pessoas estejam se separando mais. Se, em teoria, estamos passando mais tempo juntos de nossos familiares e pares por causa do isolamento social, o que pode explicar esse aumento? Acreditamos que a teoria desenvolvida pelo psicólogo Sternberg sobre o funcionamento do amor possa nos ajudar a compreender essa questão. De acordo com o autor, esse sentimento possui três componentes que formariam um triângulo: a intimidade, a paixão e o compromisso. A inexistência ou fragilidade em um desses vértices traria problemas à solidez do relacionamento conjugal.

Ainda para o autor, a intimidade é o fator que mais contribui para a satisfação do casal. A pandemia já nos assola desde fevereiro. O isolamento social imposto reconfigurou a nossa rotina, nos obrigando a conviver mais com aqueles com quem estávamos acostumados a passar algumas horas por dia. Essa nova realidade fez com que pudéssemos redescobrir essas pessoas, suas características, vontades, defeitos e qualidades. A intimidade desempenha um papel importante nesse sentido, pois propicia que essa redescoberta seja realizada com felicidade, respeito, apoio, comunicação e valorização.

Ao reencontrar nossa/os parceira/os nesse momento tão delicado, vale refletir sobre como anda nossa intimidade com ela/e. Além disso, não é de hoje que se sabe que a comunicação eficiente e capacidade de resolução de conflitos são preditores de boa qualidade nos relacionamentos e esses são componentes críticos da intimidade do casal. Discutimos nesse texto sobre casais, mas as reflexões também se estendem para os relacionamentos amorosos, familiares ou entre amigos.

Matheus Felix Ribeiro
Psicólogo cognitivo-comportamental; doutorando em Neurociências (UNB); vice-diretor do IBDFAM – Uberaba
matheusfelix.psi@gmail.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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