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Uberaba, 27 de maio de 2020 -

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Antônio Luiz Veneu Jordão

COVID19 e as medidas em andamento no Brasil

Neste momento em que o Brasil está há, mais ou menos, uma semana em quarentena, começam a circular pela internet opiniões contrárias à essas medidas, emitidas por pessoas de notório saber econômico, coincidência ou não, alguns empresários que sofrem grandes perdas financeiras, seja nas Bolsas de Valores, seja nos faturamentos das suas empresas.

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Alegam, por exemplo, que as perdas de vidas humanas em acidentes de trânsito são muito maiores e nunca foram dignas de uma medida tão restritiva. Alertam que a retração econômica irá causar mais mortes que o vírus.

Então, baseado nas estatísticas de contágio da presente pandemia, passo a apresentar alguns números e proponho a vossa reflexão.

Acordamos hoje, 24/3, num mundo ultrapassando as marcas de 386 mil pessoas infectadas e 17 mil mortes. Isto nos dá uma taxa de letalidade, neste momento, de 4,4% entre os infectados. A população mundial hoje está em torno de 7,8 bilhões de pessoas.

Não seria razoável, com vistas ao desempenho da economia mundial, reduzirmos em qualquer grau que seja a quarentena e aceitarmos, por exemplo, que 30 ou 40% da população mundial fosse infectada e tivéssemos esse ano a perda de algumas centenas de milhões de vidas. Veja o quadro a seguir.

Cenários sem contenção:

% da população infectada

Mortalidade (4,4%)

20%

68 milhões

30%

102 milhões

40%

136 milhões

50%

204 milhões

60%

204 milhões

70%

238 milhões

Qual seria o impacto desses cenários para essa mesma economia global?

No Brasil, números finais de ontem, temos 1.891 casos confirmados e 34 vítimas fatais. Isto nos dá uma taxa de letalidade, neste momento, de 1,8% entre os infectados. Somos cerca de 210 milhões de brasileiros.

Devido às severas características de contágio do coronavírus, sem uma quarentena como a que estamos nos submetendo aqui e em todo o mundo, estaríamos aceitando que os mesmos 30 a 40% dos brasileiros se infectassem. No quadro a seguir números para o Brasil.

Cenários sem contenção:

% da população infectada

Mortalidade (a 1,8%)

Mortalidade (a 4,4%)

20%

756 mil

1,85 milhões

30%

1,13 milhões

2,77 milhões

40%

1,5 milhões

3,7 milhões

50%

1,9 milhões

4,6 milhões

60%

2,3 milhões

5,5 milhões

70%

2,6 milhões

6,5 milhões

 

Comparar esses números a estatísticas de trânsito no Brasil (entre 30 e 40 mil vidas perdidas por ano) é, no mínimo, uma grande impropriedade.

E certamente qualquer desses cenários traria um desastre econômico sem precedentes.

O momento é de serenidade e confiança nas autoridades representativas dos governos federal, estaduais e municipais. Pequenas diferenças, todas elas estão seguindo o que os especialistas em infectologia e saúde pública orientam. O mundo inteiro está enfrentando esta mesma crise. A comunicação global já vem ajudando a compartilhar conhecimentos e aprimorar medidas de combate ao COVID19.

Reduzir severamente a aglomeração de pessoas é fundamental, neste momento, para reduzir o contágio e possibilitar o atendimento de saúde aos infectados mais graves.

Sacrifícios econômicos serão necessários a todas as nações, e alternativas estão surgindo e surgirão para melhorar a resposta da sociedade à pandemia.

Da mesma forma, serão muitas as alternativas e inovações que irão ajudar a recuperar nossa economia.

Não há que haver pânico, mas atenção e calma. Busquemos a informação nas melhores fontes técnicas e credenciadas. É momento de ponderar antes de agir e de cooperar com as autoridades governamentais e sanitárias.

Essa crise será superada e, com a colaboração de todos, teremos o mínimo possível de perdas humanas. 

 

Antônio Luiz Veneu Jordão é especialista em gestão de riscos e gestão estratégica. Capitão-de-Fragata RM1 da Marinha do Brasil e Assessor Especial da Reitoria da UFTM, trabalhou no Conselho Nacional de Defesa Civil nos grupos trabalho contra as pandemias da gripe suína e da gripe aviária.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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