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Uberaba, 24 de outubro de 2021 -

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Ana Maria Leal Salvador Vilanova

Somente aos Domingos

Programando uma série de atividades para um grupo de jovens, chegou o momento de escrever o convite. Sendo um convite, não uma convocação, buscava incorporar elementos atrativos. Normalmente, muitos pontos de exclamação, evocando uma hipotética energia, ainda no campo das possibilidades. Quando seriam essas maravilhosas e energéticas ocorrências? “Reuniões todos os domingos”.

Mas “todos” os domingos? A assertiva, imediatamente, alinhava na cabeça do prospectado jovem uma série de dias, regularmente espaçados entre si, numa linha infinita. Muito trabalho, muita amolação.

Porém, e se, em vez de “todos”, fosse “apenas” aos domingos? Os dias são exatamente os mesmos; não mudamos a natureza do acontecimento, apenas colocamos nele outra moldura. Nesse caso, preservamos nosso tempo livre, ou a maior parte dele, e dedicamos parte de um dia, um diazinho só, ao evento. Como dizer não a tantos pontos de exclamação, se nos pedem tão pouco esforço? E assim ficou: “Reuniões apenas aos domingos”.

Assim vamos conduzindo nosso diálogo, seja conosco, seja com o mundo. Colocando essas estruturas linguísticas que enquadram, para o bem ou para o mal, a realidade. No fim, quem sabe o que é real? A dificuldade de se responder a essa pergunta, muitas vezes, leva a exageros que, até ontem, pareciam coisa de gente doida.

Podemos considerar nosso uso do domingo um tempo bem ou mal gasto, porém, as semanas ainda têm sete dias e apenas um deles tem esse nome. Isso tem a ver com o Sol, a Terra e as voltas que o mundo dá, fazendo anos, meses, semanas e dias. Os nomes, bem, os nomes são convenção. A que se destina cada dia é parte tradição, parte cortesia da evolução humana. Nos tempos das cavernas, decerto nossos antepassados adorariam desfrutar de um dia de descanso e contemplação com a regularidade atual, se apenas o mundo impiedoso lá fora desse um descanso.

Chame-se o domingo de Manuel Epaminondas ou de Primeiro Dia, o que muda? Já considerava o bardo se a rosa perfumaria menos se outro nome tivesse. Porém, escolher como representamos eventos das nossas vidas a nós mesmos está ao alcance de todos. Que não seja um subterfúgio de autoengano, mas uma ferramenta de propulsão, conhecimento e evolução; depende só de nós. Além do mais, grátis e disponíveis vinte e quatro horas por dia.

Ana Maria Leal Salvador Vilanova - Engenheira civil, cinéfila, ailurófila e adepta da caminhada nórdica AnaMariaLSVilanova@gmail.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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