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Uberaba, 14 de novembro de 2019 -

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Fernando Vieira Filho

A depressão e o jovem

A depressão é uma doença que vem atingindo os jovens cada vez mais cedo. E o que leva a depressão a surgir, tanto em crianças quanto em jovens, de forma geral, é, a meu ver, uma inquietação pela busca do TER antes do SER, o consumismo desenfreado, alimentado pela mídia televisiva, escrita e a internet, bem como a perda da autoestima e a falta de um propósito de vida. 

Assim, o contingente de jovens em estado depressivo, vagando de consultório em consultório, com vagas esperanças de cura e com tristes prognósticos de internação em um hospital psiquiátrico, forma uma grande leva de pessoas que iniciam suas vidas adultas tristes, cansadas e desanimadas, para quem a vida parece não ter lógica alguma e a morte se apresenta como uma tábua de salvação.

Muitos me perguntam se a depressão é hereditária. O fator genético deve ser considerado. Acredita-se que haja uma base genética, já que pessoas com história familiar de depressão apresentam maiores chances de “fazer” a doença em algum período de sua vida.

Os sintomas mais comuns e recorrentes de quem pode estar com depressão, tendo em vista que é uma doença com muitos sintomas, são: sentimentos de inutilidade, baixa autoestima, desamparo ou falta de esperança; humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade, medos; dormir mais ou menos que o normal; comer mais ou menos que o normal, se alimentar mal; dificuldade em se concentrar ou em tomar decisões, falta de assertividade (a pessoa que não sabe dizer NÃO quando é não); perda de interesse em participar de atividades habituais e cotidianas; redução da libido (desejo sexual); recusa em estar com outras pessoas; sentimentos exagerados de culpa, tristeza ou ódio (aparente ou não); perda de energia ou sentimento de cansaço; pensamentos de morte e suicídio.

Devemos lembrar que as drogas ou bebidas usadas com assiduidade contribuem para o agravamento do quadro, pois os jovens costumam buscar as drogas ilícitas e a bebida alcoólica justamente por apresentar uma depressão bem sutil. Ao invés de pedirem ajuda aos pais ou aos profissionais de saúde, eles buscam o “remédio” para suas dores morais e frustrações em barzinhos e festinhas, na maioria das vezes por sugestão dos “amigos”, que na verdade são “amigos da onça”.

Desta forma, os pais, quando perceberem ou detectarem que seu filho tem ou caminha para uma depressão, observando os sintomas acima, devem procurar escutar o filho, encorajá-lo a falar sobre seus sentimentos e dores, oferecer apoio; não tentar resolver os problemas dele, apenas escutar e, com simpatia e compreensão, sugerir que procure ajuda de um profissional de saúde mental competente.

Além disso, estes são outros cuidados importantíssimos para os pais: não criticar, pois as pessoas deprimidas são muito sensíveis e isso pode fazê-las desmoronar; não tomar a depressão do outro como sua culpa; não pressionar a pessoa, incitando-a a reagir, porque a depressão é uma doença fisiológica e, como tal, necessita de medicamentos para seu tratamento e cura; não assumir as responsabilidades dela; não perder a paciência, pois a pessoa deprimida pode estar irritável.

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a depressão tem cura. É importante que, ao perceber os sintomas, a pessoa procure atendimento psiquiátrico e psicoterápico, pois, o quanto antes for iniciado o tratamento, mais rápido o doente voltará à sua vida normal.

O tratamento medicamentoso pode ser realizado com o uso de antidepressivos alopáticos, que são muito eficazes. Estes constituem um grupo de medicamentos químicos que têm o objetivo de restabelecer o equilíbrio na comunicação dos neurônios. Atualmente temos vários tipos de antidepressivos, cada um com sua indicação específica, de acordo com a recomendação do médico psiquiatra.

Os medicamentos antidepressivos, de modo geral, não causam sonolência, nem dependência, e não precisam ser tomados para o resto da vida, salvo alguns casos em que a depressão se torne crônica, pois o importante é a qualidade de vida.

É bom ressaltar que o início dos efeitos benéficos dos medicamentos não é imediato, necessitando de um período de aproximadamente três a quatro semanas para começar a mostrar resultados. Da mesma forma, deve-se ter em mente que o tratamento da depressão é de médio e longo prazo, levando em média de quatro a oito meses, podendo estender-se até um ano ou mais. Isso tudo vai depender da gravidade da doença e da resposta do paciente ao tratamento.

A psicoterapia é mais um instrumento terapêutico de grande importância, pois ajuda a pessoa a se conscientizar da doença e que precisa de ajuda e de se autoajudar, identificando em si mesma pontos importantes que possam ter contribuído para o desenvolvimento da depressão, ao mesmo tempo em que possibilita a elaboração de estratégias para driblar esses fatores.

Associados à alopatia (prescrita pelo psiquiatra), a homeopatia e os Florais de Bach dão ao tratamento uma interação sinérgica de excelentes resultados.

O exercício da espiritualidade, seja qual for a denominação religiosa, é muito importante também, assim como o apoio e a participação de familiares e amigos durante o tratamento.

A reincidência é muito comum na depressão. Muitas pessoas têm uma melhora aparente e, por vontade própria, param com a medicação de supetão e não avisam o médico. Aí pode ocorrer o chamado “efeito rebote”, quando os sintomas retornam com maior força. E muitas delas se esquecem ou não foram orientadas de que o medicamento apenas estabiliza os sintomas – é como se fosse uma muleta temporária, para que essas pessoas tenham tempo para fazer sua reforma íntima de atitudes, comportamentos inadequados, emoções desarmônicas, mágoas, etc. que acumularam em suas vidas. E é nesta parte que a psicoterapia entra, com toda a sua importância na conscientização do problema que levou à doença. 

(*) Psicoterapeuta clínico, escritor e palestrante
Contato:
ffvfilho@terra.com.br

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