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Uberaba, 16 de maio de 2022 -

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Agosto, mês da primeira infância no Brasil

Herodes, ao saber que Jesus teria vindo ao Mundo, queria cortar o problema   pela raiz antes que o Salvador o colocasse em dificuldades. Ordenou que matassem todos os meninos com menos de 2 anos que encontrassem na cidade de Belém. O flautista de Hamelin, reescrito pelos irmãos Grimm, narra o feito de um homem que, ao chegar a Hamelin, em meio a uma infestação de camundongos promete eliminá-los em troca de bons soldos. Com sua flauta, hipnotizou cada um dos ratos, levando-os a se afogarem no rio Waser. Não obtendo pagamento por falta de provas, vingou-se, enfeitiçando os cento e trinta meninos e meninas da cidade alemã, trancando-os em uma caverna. A Juventude Hitlerista foi criada para doutrinar jovens de maneira “mais adequada”, porque as escolas não conseguiam fazê-lo. Eram chamadas, na gíria, por Pimpf, cujo significado, entre outros, é patife. Toda a juventude alemã do Reich estava organizada nos quadros da Juventude Hitlerista, era a determinação legal. Atualmente, aqui no Brasil, em várias ocasiões, imagens de vídeos, fotos e telejornais exibem aglomerações indevidas, recheadas de crianças nos colos de pais e, com usual frequência, uma dessas crianças é dada aos braços de nossa autoridade maior, quando de sua presença, habitual também, em manifestações com objetivos muitas das vezes estranhos à democracia, para não dizer incompatíveis. Despidas facialmente – sem máscaras –, essas crianças, em seu silêncio indefeso, são expostas em plena pandemia. Tal atitude é uma afronta ao ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Existem crianças, aqui, que não usam máscara porque seus pais mal podem adquiri-las. Para grande parcela de jovens moças, além de lhes faltar máscaras, faltam-lhes absorventes, que as impedem, no período menstrual, de frequentar as aulas, privando-as de conteúdo e da refeição que lhes falta em casa. Milhões de crianças vagueiam nos colos de suas mães, que se equilibram nas passarelas de madeira sobre esgoto a céu aberto, à procura de um médico que não sabe onde encontrar. Esse é o quadro trágico e infeliz de uma nação que muito deve e muito tem a fazer pelos mais humildes, pelas crianças desafortunadas. Muitas delas agora órfãs pelo desastre da condução da pandemia, levando a morte a milhares de lares, cujos habitantes, em sua maioria, pobres, negros e excluídos. Este é o quadro a se desmascarar. O mês de agosto foi escolhido no Brasil como o mês da primeira infância. Ao levar uma criança no colo, leve-a à leveza do verde, afaste-a de ambientes hostis e não a infiltre onde sua condição indefesa não possa se manifestar contrariamente. O colo é o local onde se carrega a esperança e ela deve ser sempre bem conduzida.

 

Luiz Cláudio dos Reis Campos

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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