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Uberaba, 05 de agosto de 2020 -

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Luiz Cláudio dos Reis Campos

Libertadores

Basta um clube brasileiro chegar à final da Libertadores que vem a surrada cantilena de que todos temos que torcer por ele, afinal está representando o Brasil. Este ano, com um belíssimo futebol, o Flamengo sagrou-se campeão do torneio. Não faltaram, durante e antes da partida decisiva com o River Plate, apelos conclamando os torcedores dos demais times a cerrarem fileiras com o Mengo, que era o Brasil de chuteiras contra a Argentina. Respeito aqueles que resolveram atender o clamor e, mesmo não sendo flamenguistas, o adotaram temporariamente em nome da pátria, enxergando patriotismo em uma partida de futebol entre dois clubes de nacionalidades diferentes. O próprio jogador que é a razão intrínseca do jogo de futebol teria dificuldade em encarar seu ofício se a ele fosse condicionado sua participação sem, em momento algum, jogar contra times de seu país, caso o profissional atuasse em clubes estrangeiros. Como ficaria o Arrascaeta se a final do Flamengo fosse com um time uruguaio? Assim como Arrascaeta encontraremos outros tantos atletas nessa condição. Atualmente tenho observado adolescentes torcendo por clubes de outras nacionalidades, principalmente europeus. Torcem com o mesmo entusiasmo de um jovem corintiano para o Liverpool, Ajax ou Manchester. São sinais dos tempos globalizados e de um futebol disseminado e difundido mundialmente, sem contar a qualidade que é incontestavelmente superior ao que hoje se pratica por aqui. Nossos melhores atletas não atuam no Brasil, atuam no mercado da bola europeu. A paixão existe, mas se não for rentável o amor acaba e pernas pra que te quero em outro clube, outro país. É uma relação, tipo, foi boa enquanto durou. Uma constatação curiosa: entre 1964 e 1983, em 19 anos, apenas um time brasileiro foi campeão: o Cruzeiro, em 1977. Antes de 64 o Santos conquistou duas vezes. Todos os demais títulos da Libertadores conquistados por brasileiros foram pós-ditadura. Merece análise. Talvez pelo nome do torneio, vai saber. Parabenizo o Flamengo sem ufanismo patriótico, muito mais pela alegria de grandes amigos que curtiram a festa, assim como um dia espero curtir com o Fluminense. Não está fácil, eu sei. Futebol é plural. Flamengo já tem sua nação rubro-negra, cuidemos da nossa que é dele também. Cada um torcendo livre e democraticamente com suas escolhas que não se restringem a Fla Flu, naturalmente.

Luiz Cláudio dos Reis Campos

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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