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Uberaba, 21 de outubro de 2019 -

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Luiz Cláudio dos Reis Campos

Apenas imagine

Imagine um país com 54 milhões de habitantes ganhando menos de 120 dólares por mês, com mais de 10 milhões em situação de extrema pobreza, cuja perspectiva de sobrevivência é um horizonte tão vasto e profundo quanto a tela do lap top que redijo.

Imagine um país com 50% de saneamento básico e a outra metade sem acesso à coleta de esgoto e 35 milhões sem água tratada.

Imagine um país com o maior índice de analfabetismo funcional da América em que não se interpreta o que se lê, apenas soletra. Onde seus estudantes podem demorar mais de 260 anos para atingir a proficiência em leitura dos alunos dos países ricos. 

Imagine um país com uma das mais injustas distribuições de renda, 10% detêm 43% da renda total do país. Na outra ponta, os 10% mais pobres com apenas 0,7% da renda total.

Imagine um país com déficit de compreensão em matemática setenta e cinco anos atrás de países como a Holanda. Ou seja, é como se tivesse que parar o tempo dos holandeses para que se possa alcançá-los.

Imagine um país com mercado livreiro bem inferior à cidade de Paris.
 
Imagine uns país com mais de 65.000 homicídios por ano, ou seja, 30 homicídios a cada 100 mil habitantes, o que corresponde a 30 vezes mais aos indicadores na Europa. Destes homicídios, 71% das vítimas são negras ou pardas. 
 
Imagine um país com 16 milhões de analfabetos, sendo dez milhões acima de 40 anos.
 
Imagine um país onde um paciente precisou fazer suas necessidades básicas, defecar, num cesto de lixo na fila do corredor hospitalar.
 
Imagine você, nesse país, habitando uma palafita com esgoto a céu aberto, sem água potável, sem um sapato pra calçar, se equilibrando nas passarelas de madeira com uma criança no colo, outra segurando a mão, seguindo em frente à procura de um médico que não sabe onde encontrar.
 
Mas, mesmo assim continue imaginando. Bem, agora você já sabe que esse país existe e qual é.
 
Agora lhe faço um desafio, ponha-se a imaginar um país para comparar com esse e verá que quem sabe comparar não viaja na maionese, nem no catchup. E sabe o que são alhos e bugalhos.
 
 
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