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Uberaba, 26 de fevereiro de 2021 -

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Guido Bilharinho

Livros e filmes de ficção científica

A ficção científica, segundo o ensaísta britânico Adam Roberts (A Verdadeira História da Ficção Científica) remonta, como quase tudo aliás, aos gregos, percorrendo daí em diante longa trajetória, onde se apontam, talvez entre possíveis outros, autores como Plutarco e Diógenes, que enfocam viagens à lua, passando por Luciano de Samósata (História Verdadeira), atingindo o astrônomo Johannes Kepler (Somnium, de 1600 e editado em 1634), Charles Sorel (série de livros em 1626), Cirano de Bergerac (até ele! em 1630), Voltaire (Micrômegas, 1730), anônimo (Viagem Ao Mundo No Centro Da Terra, 1755, Grã-Bretanha), Mary Shelley (Frankenstein, 1818, também incluído na bibliografia de terror), Louis Geoffroy (Napoleão Apócrifo, 1841), Júlio Verne (Da Terra à Lua, 1865) e H. G. Wells (A Máquina do Tempo, 1895).

Sem esquecer, no entanto, Edgar Allan Poe com suas "Viagens Fantásticas" publicadas desde 1835, que Oscar Mendes considera "criador do hoje chamado romance de ciência-ficção, que Júlio Verne e mais tarde Wells usufruíram em larga escala" (in Edgar Allan Poe - Ficção Completa, Poesia e Ensaios. Rio de Janeiro, editora Aguilar, 1965, p. 662).

Mais modernamente, o gênero prossegue, amplia-se e aprofunda-se consideravelmente com Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo, 1932), George Orwell (1984, de 1948), Isaac Asimov (Fundação, 1942; Eu Robô, 1950), Robert Heinlein (Um Estranho Numa Terra Estranha, 1961), Philip K. Dick (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, 1968, filmado por Ridley Scott em Blade Runner, 1982), Ray Bradbury (Uma Sombra Passou Por Aqui; Crônicas Marcianas, 1950; Fahrenheit 451, 1953, filmado por Truffaut, A Cidade Fantástica, etc.)

Além deles, muitos outros autores elaboram obras de ficção científica, a exemplo de Stapledon, Simak, Ballard, Stanislaw Lem (de Solaris, 1961, filmado por Andrei Tarkóvsky em 1972), Lovecraft, Van Vogt, Vonnegut Jr., William Gibson e, também entre outros, os brasileiros Soares de Faria (Viagem Interplanetária, 1956); Rubens Teixeira Escavone (Degrau Para as Estrelas, 1961; O Homem Que Viu o Disco Voador, 1966; Morte, no Palco, 1979; Passagem Para Júpiter, 1971); Bráulio Tavares (A Espinha Dorsal da Memória) e Volmer Silva do Rego (O Olho de Aldebarán, 2001).
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No cinema, em seu próprio nascimento como espetáculo, não ainda como arte, a ficção científica está presente em alguns dos pequenos filmes de Georges Méliès, notadamente Viagem à Lua (1902), A Viagem Através do Impossível (1904) e O Eclipse - O Namoro do Sol e da Lua (1907).
Daí em diante até a década de 1950 praticamente não se explora no cinema esse veio temático, ficando pelo caminho, isolado mas portentoso, o célebre Metropolis (1926), de Fritz Lang.

Só alguns anos após a Segunda Guerra Mundial, com a inauguração (fatídica) da era atômica, estabelecendo “a cizânia entre os átomos”, conforme o poeta Ricardo Marques, de Patos de Minas, o cinema agasalha a ficção científica, explorando, já na década de 1950, os efeitos da radioatividade sobre insetos e animais, a exemplo do paradigmático O Mundo Em Perigo (Them!, EE.UU, 1954 ), de Gordon Douglas, e tematizando a chegada de alienígenas à terra, individualmente ou em grupos, neste último caso destacando-se pela repercussão o filme Guerra dos Mundos (War of the Worlds, EE.UU., 1953), de Byron Haskin.

Nas décadas seguintes, inspirando-se ou não em livros de ficção científica, o gênero atinge em diversos filmes a categoria artística em seu mais alto nível de concepção e expressão em Alphaville (Idem, França, 1965), de Godard; 2001, Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick; Alien, o Oitavo Passageiro (1979), de Ridley Scott; e Blade Runner (1982), também de Ridley Scott.

Na obra Filmes de Ficção Científica, publicada no blog guidobilharinho.blogspot.com.br, esses e outros filmes do gênero são analisados, como sempre nos livros da coleção "Ensaios de Crítica Cinematográfica" sob o prisma artístico-cultural, o que os distinguem no panorama brasileiro, ainda mais por comporem sua única coleção editorial, com obras lançadas anualmente desde 1999.

*Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba, editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000 e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros e História do Brasil e regional.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do JORNAL DA MANHÃ. O conteúdo é de responsabilidade exclusiva do autor.
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