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Uberaba, 25 de setembro de 2021 -

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Conheça as sequelas deixadas pela doença do século XXI: o sofrimento também no pós-Covid

Não raros são os relatos de quem vence a Covid-19, mas continua enfrentando desafios prolongados pelas sequelas deixadas pela doença, que ninguém conhece bem

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25/07/2021 - 00:00:00. - Por Joanna Prata

Muito tem se falado sobre as complicações e sintomas que aparecem nos contaminados pela Covid-19 após o paciente apresentar carga viral negativa. Conforme a infectologista Cristina Hueb Barata, além do sistema respiratório, o vírus compromete os sistemas vascular, cardiológico, neurológico e, também, órgãos como os rins e o fígado. Essas sequelas, ou síndrome pós-Covid, têm se mostrado um desafio aos profissionais de diversas áreas. Existem mais de 55 sintomas conhecidos da chamada síndrome pós-Covid. A Organização Mundial de Saúde ainda está definindo as classificações e complicações e o nome que receberá, mas, até lá, está sendo chamada síndrome pós-Covid, Covid longa, Covid persistente ou Covid prolongada.

Em pacientes graves infectados pelo coronavírus, a incidência da trombose venosa é maior que 30%, e o risco geral para a trombose em casos confirmados da doença é de 16,5%. O quadro pode ocorrer até 45 dias após a infecção aguda da Covid-19. As informações são do cirurgião vascular Rodrigo Soffiati Mesquita. Segundo ele, isso ocorre devido a uma relação desproporcional entre a inflamação sistêmica causada pelo vírus, o sistema imunológico e o processo que tem como objetivo manter o sangue fluido no interior dos vasos sanguíneos, que evita a formação de coágulos ou ocorrências de hemorragia, chamado de hemostasia. Ainda conforme Rodrigo, existem outros fenômenos tromboembólicos da Covid-19, como a embolia pulmonar, acidente vascular encefálico, eventos de infarto agudo do miocárdio, trombose arterial mesentérica (intestinal) e de membros inferiores e tromboses venosas cerebrais.

“Muitos pacientes podem não apresentar sintomas claros e devemos estar atentos a quaisquer casos de dor, inchaço e vermelhidão, principalmente dos membros inferiores”, alertou o médico. Rodrigo Soffiati também indica algumas medidas não farmacológicas para prevenção de problemas no sistema vascular, não só para pacientes com Covid-19, mas para a população em geral. São elas: evitar imobilização prolongada, procurar voltar a se movimentar o mais rápido possível, fisioterapia motora quando necessário, procurar exercitar as pernas quando estiver sentado por longos períodos, fazendo movimentos com os pés, uso de meias compressivas elásticas indicadas pelo médico e evitar o sedentarismo.

Conforme a médica uberabense Ana Luiza Nunes Cunha, chefe do setor de Neurologia do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto, as complicações neurológicas da Covid-19 podem envolver o sistema nervoso central e o sistema nervoso periférico. Os quadros neurológicos agudos são variáveis: acidente vascular cerebral, encefalite (inflamação e infecção do cérebro) autoimune, crises convulsivas, trombose venosa cerebral entre outros. No entanto, a médica aponta que a origem do fenômeno ainda é incerta. “Estudos mostram a possibilidade de respostas inflamatórias exacerbadas do sistema imune à infecção viral”, explica Ana Luiza Nunes, acrescentando que ainda está em investigação se há uma “cascata inflamatória” que leva à persistência dos sintomas.

Outros sintomas que podem aparecer na Covid prolongada foram apresentados em um artigo desenvolvido por um grupo de universidades dos Estados Unidos, do México e da Suécia. Ele mostra que os principais sintomas detectados entre os 47.910 pacientes que integraram a pesquisa são: fadiga (58%), dor de cabeça (44%), dificuldade de atenção (27%), perda de cabelo (25%) e dificuldade para respirar (24%). O mesmo estudo diz que 80% das pessoas que pegaram a doença ainda apresentavam algum sintoma pelo menos duas semanas após se curarem do coronavírus.

Em Uberaba, chegou a ser anunciado em abril um centro de tratamento pós-Covid pela Prefeitura Municipal. A Secretaria de Saúde informou que está finalizando a parceria com a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e que deve divulgar nos próximos dias os detalhes sobre como será oferecido o tratamento. Os tratamentos disponíveis na cidade ainda são todos particulares e a reabilitação via SUS até o momento é feita unicamente por alunos do curso de Fisioterapia da Uniube.

 

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