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SAÚDE

Lista de patologias que afetam professores da rede pública é extensa

Pesquisa da CNTE aponta que 71% dos profissionais de educação da rede pública entrevistados ficaram afastados da sala de aula

17/11/2019 - 00:00:00. - Por Michelle Rosa Última atualização: 17/11/2019 - 17:55:29.

Foto/Divulgação

A neuropsicóloga Liliane Cristina de Além-Mar e Silva aponta que os números são preocupantes

Cansaço excessivo, perda da voz sem razão orgânica aparente, faringites, ansiedade e depressão. A lista de patologias que afetam os profissionais da educação é longa e merece atenção. 

A crescente incidência de sofrimento mental em professores vem chamando a atenção de pesquisadores por todo o mundo. Já são diversas pesquisas demonstrando o adoecimento mental de professores como um problema cada vez maior em vários países.

Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) aponta que 71% dos 762 profissionais de educação da rede pública de vários estados entrevistados no início de 2017 ficaram afastados da sala de aula após episódios que desencadearam problemas psicológicos e psiquiátricos nos últimos cinco anos. O estresse, muitas vezes provocado por situações de insegurança, tem a maior incidência, com 501 ocorrências (65,7%).

Vem seguido por depressão (53,7%), alergia a pó (47,2%), insônia (41,5%) e hipertensão arterial (41,3%). Há ainda aqueles que apresentaram apenas sintomas de mal-estar. Foram pelo menos 531 casos de ansiedade, 491 de cansaço ou fadiga e 480 referências a problemas de voz.

A neuropsicóloga Liliane Cristina de Além-Mar e Silva aponta que os números são preocupantes. “O profissional que está acometido criticamente por um transtorno de humor, como transtorno de ansiedade, de depressão, chamado também de síndrome de Burnout, em muitas situações não pode estar trabalhando, inclusive porque ele coloca os alunos em risco de influência do mal-estar dele e, também, ao continuar na situação de extrema pressão, acaba se expondo a um risco de o quadro ficar mais crítico e o adoecimento não só mental como o físico passar a ser ainda mais crônico”, explica a neuropsicóloga.

Guardar sentimentos pode contribuir para agravar doenças

Pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) aponta que profissionais da Educação que trabalham na rede púbica em todo o Brasil cada vez mais sofrem com problemas psicológicos e psiquiátricos.

O estresse tem a maior incidência, seguido por depressão, alergia a pó, insônia e hipertensão arterial. O levantamento apontou ainda que os profissionais sofrem com mal-estar, ansiedade, cansaço ou fadiga e problemas de voz.

Para a neuropsicóloga Liliane Cristina de Além-Mar e Silva, a origem desses problemas pode estar relacionada à pouca abertura que os professores dão para falar sobre seus sentimentos, sobre a pressão. Para ela, a solução seria colocar para fora toda a angústia, para se esvaziar das situações estressantes.

“É preciso ajuda profissional para fortalecer o educador que está adoecido; isso tudo é possível prevenir. As escolas precisam se alertar para isso. Hoje elas já têm uma despesa altíssima com afastamento por adoecimento desses professores, então, é importante que as escolas mudem de postura e acoplem aos trabalhos delas programas de consultoria em saúde mental, fornecido por profissionais de psicologia e psiquiatria, principalmente de fora das instituições para que sejam neutros no trabalho de auxílio”, aponta.

Ela ainda destaca que é preciso que as escolas desenvolvam rodas de conversa em que esse profissional possa se esvaziar, se colocar e se cuidar periodicamente nesse processo para não adoecer e cronificar, como tem acontecido.

“Às vezes, a pessoa continua apaixonada pela profissão, mas o ambiente e as pessoas se tornam aversivas, o que a longo prazo significa perder a administração das próprias emoções. Por isso, as escolas precisam propiciar o trabalho em equipe, que faz com que todo mundo tome decisões, incluindo as famílias; que envolva cada vez mais as famílias no processo educacional, fazendo com que o professor seja uma das vozes de decisão, e não somente a única”, conclui. 

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