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SAÚDE

Tratamento insensível nas redes sociais estimula suicídio

Uma vida social ativa não significa que a pessoa que esteja adoecida não tenha potencial para tirar a própria vida

15/09/2019 - 00:00:00. - Por Marília Mayer

Foto: Arquivo

 

Vera Lúcia Dias alerta que as redes sociais abriram um novo canal que depende da responsabilidade de quem o dissemina

O Código de Ética da imprensa estabelece condições para a divulgação de casos de suicídio. Porém, com o crescimento constante das redes sociais, os novos canais de comunicação abertos dependem da responsabilidade de cada pessoa sobre o que dissemina.
A psicóloga Vera Lúcia Dias, em entrevista ao JM News 1ª Edição, na Rádio JM 95,5 FM, afirma que a divulgação de particularidades de suicídios é prejudicial. A ideia é que se trate do tema sem divulgar informações, como, por exemplo, de que modo a pessoa cometeu o ato, o local, cartas suicidas, bilhetes de despedidas e fotos.

“As pessoas são muito insensíveis. Elas assistem a algo ou veem um fato e, de repente, viralizam a foto de uma pessoa enforcada, por exemplo. Não pensam que se fosse um familiar seu se gostariam que isso ficasse em domínio público”, adverte.

A recomendação é tratar do assunto de uma forma mais genérica, no sentido de levantar um alerta, e nunca expondo a intimidade das pessoas que cometeram tal ato. Deve-se também tomar cuidado com o tipo de comentário feito em publicações a respeito do tema.

Segundo a especialista, é necessário que a divulgação seja com o objetivo de se alertar sobre comportamentos potencialmente suicidas.

Quais são os comportamentos potencialmente suicidas?
Uma vida social ativa não significa que a pessoa que esteja adoecida não tenha potencial para tirar a própria vida. Inclusive, pode ser uma maneira de desviar a atenção da rede de contatos para consumar a ideação, segundo a psicóloga.

Frases do tipo “eu não sei o que eu estou fazendo aqui”, “a vida de vocês seria melhor sem mim”, ou até sentenças claras de que há uma intenção de cometer suicídio não devem ser ignoradas.

“Uma pessoa que está bem mentalmente não tem necessidade de chamar a atenção dessa maneira; ela vai chamar a atenção de uma forma positiva. As pessoas, às vezes, duvidam e falam: “quem fala não faz”. Isso é um mito. Existem pessoas com histórico de várias tentativas até que conseguem concretizar o ato”, afirma Vera Lúcia Dias.

 

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