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POLÍTICA

Governador de MG critica governo Bolsonaro e as "pautas minúsculas"

Zema também citou o estilo de levantar polêmicas do presidente

19/08/2019 - 00:00:00. - Por Agência Estado Última atualização: 19/08/2019 - 18:19:16.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que incluir estados e municípios na reforma da Previdência é "essencial" e disse estar confiante no "bom senso" dos senadores. Em entrevista para o Estado de S. Paulo governador defendeu a privatização da Cemig – "não é questão ideológica, é questão de olhar o futuro" –, negou que esteja sendo "tutelado" pelo partido Novo e avaliou que o presidente Jair Bolsonaro deveria evitar "pautas minúsculas" e "focar em coisas maiores, grandiosas".

O Novo vota de forma coesa projetos do governo Bolsonaro. Qual sua avaliação sobre a administração federal?

O governo tem boas intenções, mas tem pecado na coordenação. Em alguns momentos a comunicação deixa a desejar, entra em pautas minúsculas, enquanto deveríamos focar em coisas maiores, grandiosas, imprescindíveis. Faz parte do estilo dele (Bolsonaro) levantar polêmicas que, do meu ponto de vista, não seriam necessárias.

O sr. está confiante na aprovação de uma PEC paralela que inclua estados e municípios na reforma da Previdência? Já disse que a reforma deve incluir as unidades "por bem ou por mal".

A inclusão dos estados e municípios na reforma da Previdência é essencial. O caso de Minas é um exemplo claríssimo. Temos um déficit anual com a Previdência do servidor público estadual de R$ 18 bilhões. Além desse problema financeiro gravíssimo, (se a reforma excluir estados e municípios) estaremos criando outro problema jurídico-legal. Cada estado, caso aprove o seu sistema previdenciário, vai ter particularidades, e cada município terá especificidades. Isso vai gerar uma complexidade gigantesca no futuro. Se um servidor público trabalhou em uma ou duas prefeituras em dois ou três estados, na hora de se aposentar, o cálculo disso será impossível. Temos de fazer uma regra que inclua todos. Quando digo que a reforma será feita por bem ou por mal, é por esse motivo. Se ela não for feita agora por bem, ela terá de ser feita em algum momento. Com o agravante de que, até lá, a situação terá piorado.

Acha possível uma mudança no texto final no Senado?

Estou otimista porque, se a reforma não incluir estados e municípios, ela ficará pela metade. É como abrir um paciente, retirar um tumor, ver que tem um segundo tumor e deixa ele lá porque a previsão da operação inicial era apenas de um tumor. Os senadores têm consciência disso e penso que haverá bom senso.

Vai encaminhar uma reforma do regime previdenciário regional à Assembleia?

Sim. Vamos encaminhar uma série de medidas, dentre elas uma reforma na Previdência do funcionalismo público.

Esse pacote inclui a PEC que retira a obrigação de referendo popular para a venda de companhias públicas. A privatização da Cemig é uma decisão sem volta?

O que a Cemig fez nos últimos anos foi distribuir recursos muito acima do que poderia a título de dividendos, antecipando impostos estaduais. Ela foi operada como caixa adicional do estado, não como uma empresa que tem gestão. Hoje, para quem quer investir em Minas, dificilmente a Cemig tem energia disponível. Que estado nessa situação atrai empresas? É uma empresa que foi sucateada. Para ficar em dia, ela teria de investir R$ 21 bilhões. O dono dela é o estado e o estado está falido. Precisamos ter um dono que injete recursos e não que drene recursos, como aconteceu. A privatização não é questão ideológica, é questão de olhar o futuro.

 

 

 

 

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