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ESPORTE

Personalidades falam em "momento propício para mudanças" no futebol brasileiro para os próximos anos

Muitas ideias estão surgindo entre os diversos dirigentes, mas somente um calendário bom par todos poderá salvar o futebol brasileiro da falência

07/04/2020 - 16:09:14. - Por Agência Estado Última atualização: 07/04/2020 - 16:33:08.

 


"Todo mundo cobra que os clubes sejam administrados como empresas, mas como se faz um planejamento para uma competição de três meses”?
disse Edgard Montemort, dirigente do Santo André

Ricardo Magatti
Com todas as principais competições esportivas paralisadas em razão da pandemia do novo coronavírus e em meio a um cenário cheio de incertezas provocado pela covid-19, algumas mudanças têm sido especuladas no meio do futebol, especialmente depois que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse que o momento pode ser propício para uma reforma global da modalidade. O suíço-italiano que comanda a entidade máxima do futebol falou sobre a proposta de campeonatos mais curtos, com menos jogos e equipes, mas com maior interesse e equilíbrio.

CBF DEVE AJUDAR OS CLUBES
O Estado ouviu dirigentes, treinadores e ex-jogadores para saber quais os caminhos possíveis para o futebol a curto prazo. Dentro de possíveis mudanças, eles divergiram quanto à unificação do calendário brasileiro com o europeu, mas todos concordaram que a CBF deve ajudar os clubes e jogadores para aliviar o impacto dessa crise. Também avaliaram o momento atual como oportuno para melhorar o futebol nacional.

UNIFICAÇÃO COM O CALENDÁIO DA EUROPA
O diretor executivo de futebol do Grêmio, Klauss Câmara, entende que a adaptação do calendário brasileiro ao do que está em vigência na Europa, que começa em agosto e termina em maio, seria positiva para os clubes e jogadores. "Esse impacto do coronavírus no futebol significa uma grande oportunidade para todos nós de termos um calendário unificado sobre vários pontos importantes. A unificação, principalmente, seria um grande avanço, ainda mais diante desse cenário caótico causado pela pandemia”.

AUMENTO DE RECEITA E MENOS JOGOS
Para Klauss, as principais vantagens de ter datas semelhantes às da Europa no Brasil são a redução do número de jogos, a ampliação do período de pré-temporada e a possibilidade de realizar vendas de jogadores em início da temporada, o que traria, na visão do dirigente, aumento considerável de receita com a permanência de atletas importantes até o final da jornada

FAZER IGUA A ARGENTINA
Ex-técnico de Botafogo, Santos e Corinthians, Jair Ventura endossa a análise de Klauss. "Não sei o pensamento dos clubes. Mas se o modelo é a Europa, talvez seja melhor repensar e ter essa mudança. Na Argentina já é assim. Quando time brasileiro vai jogar a pré-Libertadores, está com 15 dias de pré-temporada enquanto um time chileno está no meio do ano", afirmou o técnico, atualmente sem clube.

MUDANÇA GRADATIVA, AOS POUCOS
Pentacampeão mundial com a seleção brasileira, Luizão apontou para a necessidade de mudanças na estrutura do futebol brasileiro, mas alertou que elas devem acontecer de forma gradativa. "O coronavírus chegou e agora é que vão falar em mudanças? Tem que pensar bem antes para programar o futebol. O futebol tem que ser mudado gradativamente, aos poucos. Na Europa acho que é mais fácil de mudar, mas aqui no Brasil é complicado fazer isso de uma hora pra outra", analisou o ex-jogador.

UM CALENDÁRIO PARA TODOS
"Todo mundo cobra que os clubes sejam administrados como empresas, mas como se faz um planejamento para uma competição de três meses, sendo que depois no quarto mês do ano tem que mandar todo mundo embora para manter as contas em dia? Os clubes vão se planejando de quatro em quatro meses. Isso não existe. Não é saudável. Eu vejo que é hora de a gente pensar um calendário de que todos possam participar", disse Edgard Montemort , diretor do Santo André. (AGENCIA ESTADO)

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