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A cartilagem articular

A cartilagem é um tecido resistente, flexível e que pode ser encontrada em vários locais do corpo. Ela tem duas funções principais: (1) o amortecimento e (2) a capacidade de agir como um molde para as

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- Por Dr. José Fábio Lana Última atualização: 11/02/2021 - 11:14:18.

A cartilagem articular
A cartilagem é um tecido resistente, flexível e que pode ser encontrada em vários locais do corpo. Ela tem duas funções principais: (1) o amortecimento e (2) a capacidade de agir como um molde para as articulações. No caso do joelho, a superfície cartilaginosa cobre e molda o fêmur, a tíbia e a rótula, onde permite que os ossos possam deslizar um sobre o outro, reduzindo o atrito e evitando qualquer bloqueio do movimento. Ela ajuda a suportar o nosso peso quando executamos movimentos, do mais delicado e fraco ao mais grosseiro e forte.
Nosso corpo é formado por três tipos de cartilagem:
Cartilagem elástica - é o tipo mais elástico e flexível de cartilagem, encontrada na parte externa  das orelhas, algumas partes do nariz e na epiglote (o retalho de tecido na parte de trás da garganta, que evita que os alimentos sigam pelas vias respiratórias).
Fibrocartilagem: é o tipo de cartilagem mais resistente e pode suportar grande quantidade de peso. Encontra-se entre os discos (vértebras) da coluna vertebral e entre os ossos dos quadris e pélvis.
Cartilagem hialina: também conhecida como cartilagem articular, é ao mesmo tempo elástica e resistente. Encontra-se entre as costelas, em torno da traqueia, e entre as articulações como o joelho, quadril, tornozelo, pé, mão, cotovelo, ombro e articulações facetárias da coluna vertebral.
Todos os três tipos de cartilagem podem ser danificados, principalmente de duas formas: (i) por um ferimento acidental súbito à cartilagem, como uma torção durante uma partida de futebol; ou (ii) por danos a longo prazo resultantes do processo de “desgaste” articular, conhecido como osteoartrite ou artrose, que é um dos temas mais estudados em todo o mundo.
Diferentemente de outros tipos de tecido, a cartilagem não tem seu próprio fornecimento de sangue, o que a torna uma estrutura de cicatrização muito difícil quando lesada. Isso porque um baixo número de células multipotentes atinge o local da lesão e a capacidade dos condrócitos maduros de migrar, proliferar e produzir uma nova matriz cartilaginosa é limitada. Assim, a cartilagem danificada não se recupera tão rapidamente como a pele, a mucosa ou os músculos, e o avanço da idade compromete ainda mais essa capacidade regenerativa de lesões articulares.

Um dos tipos mais comuns e potencialmente graves de danos na cartilagem pode acontecer na articulação do joelho. A lesão pode resultar em dor, inchaço e alguma perda de mobilidade. A falta de sintomas iniciais, no entanto, faz com que a maioria das pessoas com lesões crônicas de cartilagem não procure ajuda médica desde o início, quando a doença é silenciosa. Por não receber inervação adequada, a cartilagem lesada em graus menores (graus 1 e 2) não causa dor até que se atinja o osso debaixo dela. A dor e o  inchaço vão aparecer em uma fase mais avançada da doença, quando já houver exposição óssea. Já nos casos mais graves e em graus maiores (graus 3 e 4), os sintomas podem ser importantes desde o início da lesão.
Casos de danos acidentais na cartilagem são mais comuns em pessoas com menos de 35 anos de idade, por elas estarem mais propensas a participar de atividades esportivas com risco de lesão. Danos crônicos na cartilagem, associados à osteoartrite, são mais comuns em adultos com mais de 50 anos.
Por ter distribuição morfológica e propriedades biomecânicas únicas, a cartilagem articular é, até o momento, incomparável a qualquer material artificial, apesar dos consideráveis esforços dos engenheiros e biólogos. Como já foi dito em colunas anteriores, porém, técnicas inovadoras da Medicina Regenerativa têm obtido resultados promissores no tratamento desse tipo de lesão e representam uma alternativa promissora, que vem se mostrando segura e viável para a recuperação mais eficaz da cartilagem.

Referências
Emans PJ, van Rhijn LW, Welting TJM. Autologous engineering of cartilage. PNAS 2010 Feb 23;107(8):3418–23.
Fonseca, F. Cartilagem do joelho (parte I) - Da fisiologia à clinica: algumas considerações. Rev Medic Desp in forma 2010;1(4):10-2.


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