JM Online

Jornal da Manhã 48 anos

Uberaba, 28 de outubro de 2020 -

BUSCAR EM TODAS AS SEÇÕES BUSCAR
Buscar

O resgate necessário

17/09/2020 - 00:18:11. - Por Marcos Galileu Última atualização: 17/09/2020 - 07:13:35.


Saímos de Uberaba há uns bons anos. A nostalgia é inevitável e quem vive fora do lugar em que nasceu e cresceu, sabe muito bem disso. Agora levamos a vida em outras cidades (e até outros países), mas sempre que a rotina permite, voltamos para rever os familiares e os amigos.

Nessas ocasiões há momentos que chamam um sorriso espontâneo: o Japão e a simpatia de sempre, o Tabu e seus inigualáveis filés, a conversa gostosa e o chope no bar da praça da Concha Acústica. Mas às vezes, bem lá no fundinho, há também uma certa tristeza. Uberaba não é a mesma cidade em que crescemos: foram derrubadas várias casas de valor histórico (pelo menos para nós). O München não existe mais. E o Uberabão deixou de ser um bom programa para pais e filhos nos domingos à tarde.

Mas a grande decepção vem mesmo é do destino do Colégio Dr. José Ferreira. Somos ex-alunos da escola, ainda da época do “primário”, “ginásio” e “colegial” (os leitores mais velhos vão se lembrar desses termos). Alguns de nós contamos com 13 anos de Zezão no currículo. Muitos nunca estudaram em outro lugar (diga-se de passagem, vários como bolsistas ao longo de todo esse tempo).

Devemos muito a essa instituição de ensino. Ela foi a base para a nossa formação como cidadãos, mostrou a importância da vontade de aprender, da formação do caráter, do respeito ao próximo, da igualdade social e da criação de oportunidades para todos – coisas raras nos tempos atuais. E nos permitiu ingressar em boas universidades e desenvolver uma vida profissional pautada por essa formação, trazida dos primeiros anos da vida escolar.

Pelas notícias que chegam, as próximas gerações de uberabenses correm o risco de não usufruir dessas mesmas oportunidades. Agora o “Zezão” tomou um outro rumo, nem um pouco comprometido com esse histórico. Ninguém o reconhece. Se continuar assim, será tirada dos pais e mães de hoje a possibilidade de entregar os filhos e filhas para a mesma escola onde estudaram, seguros de que terão uma formação no mínimo equivalente àquela de tempos atrás.

Uberaba não pode se conformar com isso. A cidade precisa abraçar a escola, não deve abandonar pelo caminho uma de suas mais importantes instituições, responsável pela ótima qualidade da educação de milhares de uberabenses.

Por décadas o “Zezão” teve uma gestão pautada por referências valiosas e necessárias a uma instituição de ensino. Como alunos antigos, tivemos o privilégio de usufruir disso. Sem descolar de seus valores fundamentais, a administração da escola sempre esteve à frente de seu tempo. Não vamos cansar o leitor enumerando os muitos feitos da administração, dos professores e dos funcionários do José Ferreira ao longo de todas essas décadas. Quem lá estudou, trabalhou ou confiou ao Colégio a educação de seus filhos, é testemunha de muitos deles.

Somos eterna e infinitamente gratos a essas pessoas, algo que nunca poderemos pagar, mas que talvez estas poucas palavras possam de algum modo resgatar parte da nossa dívida de gratidão com a instituição e com as pessoas que a construíram. Brecht disse que os homens que lutam toda a vida são aqueles que podemos chamar de imprescindíveis. Aqueles que construíram o José Ferreira certamente pertencem a esse grupo.

Os tempos são obscuros e em muitos setores o país se desestrutura a olhos vistos. Mas precisamos resistir, tomar esses exemplos de incessante luta pela educação e salvar o destino do “Zezão”, devolvendo-o à comunidade.

O futuro da cidade não só merece como precisa desse resgate.

Cristiane Tamer

Comunicadora e criadora de conteúdo digital

Fabiano Bessa

Engenheiro de Certificação da Mitsubishi Aircraft Corporation

Frederico Resende Carvalho

Engenheiro mecânico

Gustavo dos Santos Anjo

Gerente de construção Offshore, Sapura Navegação Marítima

Luciana de Sousa Batista Leite

Médica radiologista (Araxá, MG)

Marcelo Dias Ferreira

Analista de Projetos de Exportações do BNDES

Marcos Galileu Lorena Dutra

Funcionário público federal e professor universitário

Wesley Ferreira de Araújo

Médico intensivista (Ribeirão Preto, SP)

 

Leia mais

Continua depois da publicidade

DESENVOLVIDO POR Companhia da Mídia