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Uberaba, 13 de julho de 2020 -

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Cara amarrada

29/05/2020 - 07:47:42. - Por João Eurípedes Sabino Última atualização: 29/05/2020 - 07:47:47.

Certo idoso amargava sua dor sentado na sala de espera de um hospital. O movimento de pessoas era intenso e à sua frente a todo instante passavam profissionais da saúde, numa demonstração de que estavam sendo exigidos além do normal. Todos usavam máscara, já que a pandemia do coronavírus marcava sua presença.

Um bem vestido profissional, usando gravata e jaleco branco, certamente médico, transitava com mais frequência. Os olhares eram dirigidos a ele com uma ponta de respeito, pois o doutor tinha andar, digamos, marcial.

O idoso, por duas ou três vezes, tentou dirigir um cumprimento ao doutor, todavia, a “membrana” que o envolvia não dava margem a aproximações. O que fazer? Pensou quase em voz alta o mais vivido senhor, vendo que o seu objetivo fora frustrado pela cara amarrada do mestre da Medicina. Tempo passando e chegou a vez do vovô ser atendido. Exatamente aquele doutor sisudo chama o idoso pelo nome e, sem soltar a fisionomia, convida-o para sentar. Com o computador aberto, iria ele começar a anamnese do paciente.

Antes que o médico dissesse uma palavra, o idoso lhe pede licença e diz: “Bom dia, doutor! Eu tenho um filho que é seu colega de profissão e, desde o primeiro dia dele na faculdade, minha esposa e eu lhe demos um simples conselho: o doente tem no médico a esperança da cura. Entre os dois deve haver extrema confiança. O doente, de entregar sua vida ao médico. E o médico, de devolver a saúde ao doente. Nesse vai e vem, tudo começa com um sorriso de ambas as partes. O enfermo talvez não consiga sorrir, mas o médico deve se esforçar para abrir a face. A Medicina não é só uma profissão, é um sacerdócio, e o médico não pode se apartar dele. Muitas doenças ocorrem apenas no imaginário das pessoas e depois atacam o físico. Agindo assim, meu filho, você será um bom médico”.

Prosseguindo a sua consulta, o médico percebeu que ali estava um homem perspicaz e, em suas palavras, havia ricas mensagens. Desamarrou o semblante e iniciou um diálogo amistoso com aquele paciente sedento de cura, indagando-lhe: “Qual é o nome do seu filho que é meu colega?”. “Meu filho, tem o meu nome que está aí no seu computador”, disse o orgulhoso pai. Surpreso, diz o médico: “Ora! Seu filho foi meu professor na faculdade e com ele não aprendi ter a cara amarrada no trabalho. Peço ao senhor que me perdoe”.

 

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