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Tentações

28/05/2020 - 00:00:00. - Por Ricardo Cavalcante Motta

Na abordagem da figuração bíblica, quando Adão provou do fruto proibido e recebeu do Senhor o castigo de perder o paraíso, o que se realça, em regra, é o lado lascivo pela sedução. Deus, porém, onipotente, onisciente e onipresente que, por isso, já sabia de tudo, ainda concedeu a Adão o seu sagrado direito de se defender, ao menos de se justificar. Talvez até para dosar a sanção. Adão foi condenado a suprir pelo trabalho seu próprio sustento, pelo que até ironizam dizendo que o trabalho é um castigo bíblico. Mas a essência da questão, a meu ver, seria o realce pela postura de se ceder à tentação. E embora seja recorrente associar o ato apenas ao desfrute sexual, a perspectiva da tentação mostra-se muito mais ampla. Tanto que o Mestre, mais tarde, ensinou na montanha a oração do Pai-Nosso na qual se repete sempre o pedido para que não se caia em tentação. Claro que não se referia especificamente e somente a luxúria, ao acasalamento fugaz. Buscava certamente demonstrar um alcance muito mais amplo. Sim, constantemente devemos estar atentos para dosar nossos atos diante de todo tipo de tentação.

Pode ser dos vícios, da ambição, da ganância... A cada atitude em que limitamos o excesso de algum prazer estamos vencendo a tentação. Doce ou sal demais adoece. Romper os limites do pais ou dos nortes de sabedoria é ser vencido pela tentação da imprudência ou da ousadia. Exagerar na bebida, na ingestão de comida, entregar-se à preguiça dentre centenas de outras situações que constituem tentações constantes e diárias e que, se não confrontadas, podem levar a consequências ruins, enfermidades, derrotas, tristezas, conflitos, enfim, a muitas frustrações. Então, que entendamos o quanto é relevante absorver o que se pretende em não se deixar cair em tentação, evitando-se os "pecados'' capitais, para recebermos da vida uma condenação mais branda, pois que perdão não há, como não houve para Adão.

Ricardo Cavalcante Motta
 

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