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Estamos falando de vidas

Nunca imaginei que fosse viver o suficiente para enfrentar uma pandemia mundial de um vírus

22/03/2020 - 00:00:00. - Por Márcia Moreno Campos

Nunca imaginei que fosse viver o suficiente para enfrentar uma pandemia mundial de um vírus altamente contagioso e, em muitos casos, letal. É difícil saber como agir pelo ineditismo da situação, de consequências incertas e provavelmente cruéis. O mundo todo curvado e perplexo tentando entender, tratar e vencer um mal até então desconhecido, que se mostra poderoso em seu rastro de destruição. Mandatários de diferentes ideologias, alguns enfraquecidos nos cargos, outros em final de mandato, ditadores e democratas, de direita e de esquerda, lutando para conter a crise que se abateu sobre seus países. Medidas são anunciadas diariamente, fronteiras fechadas, recomendações ditadas e os casos de contaminação viram estatísticas, ora de recuperação, ora de morte. 

O presidente do Brasil saiu fora da curva. Desconsiderou as recomendações do Ministério da Saúde e aplaudiu, incentivou e se misturou a seus apoiadores em manifestação a seu favor. Muitos defenderam sua atitude e se gabaram de ter participado dos movimentos de rua, desafiando de forma calculada os protocolos de não-propagação do vírus. Sem entrar no mérito dos motivos que os levaram às ruas em protestos, contesto com veemência o momento escolhido. Estamos falando de vidas, de sofrimentos, de sequelas, de desemprego e recessão. Não é possível calcular o estrago que o coronavírus deixará em nosso país e no resto do mundo. Sabe-se, entretanto, que, como sempre, os mais pobres serão os mais afetados. Apenas para constar, na carreata presidencial que inicialmente acompanhou a manifestação em Brasília havia uma ambulância atrás dos carros que acompanham o Presidente, como de praxe, em todos os seus deslocamentos. Não é preciso comentar. 

Gostaria muito que o mundo saísse dessa catástrofe mais unido e solidário. Que as pessoas entendessem que sem cooperação corremos o risco de extinção. Infelizmente, pelos exemplos vistos até agora, acredito que vamos continuar no caminho da segregação, do egoísmo, do nacionalismo exacerbado e das desculpas esfarrapadas. Que Deus tenha piedade de nós!

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