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Sociedade e Convivência

Segundo Aristóteles, o homem é um ser político – que se ocupa de assuntos públicos

19/03/2020 - 00:00:00. - Por Sandra de Sousa Batista Abud

Segundo Aristóteles, o homem é um ser político – que se ocupa de assuntos públicos, pertinente à cidadania – isto é, um ser social, que vive em sociedade. 

E a vida em sociedade? A vida em sociedade é repleta de conflitos, pequenos ou maiores.

Com familiares, amigos, colegas e até mesmo com desconhecidos nos envolvemos em conflitos, diariamente. Os conflitos acontecem porque carregamos conosco características de nossa personalidade, opiniões, bagagem cultural, que nos fazem discordar dos outros, sermos e agirmos de forma diferente e conflitante.

É interessante atentar para o fato de que viver em paz não significa não enfrentar conflitos, mas aprender a viver em harmonia e lidar bem com possíveis divergências de opiniões e atitudes, o que proporciona um convívio saudável. Neste contexto, entende-se que o mundo não é perfeito e que nem todas as pessoas irão sempre concordar com nossas decisões, sem contestações e sem conflitos. Na sociedade, cada um tem sua individualidade, a sua leitura própria, apesar de crenças comuns. O recado é a tolerância – indulgência, condescendência, tendência a admitir nos outros maneiras de pensar, de agir e de sentir diferentes e até mesmo opostas às adotadas por si mesmo – com indivíduos cujos comportamentos e opiniões divergimos.

Sem tolerância e sem respeito – consideração, estima, atenção, compreensão, adesão –, ocorrem comportamentos de violência, de não aceitação do outro, de agressividade, o que impede o exercício verdadeiro do que se supõe ser convívio em sociedade.

O convívio longo com alguém permite o conhecimento da personalidade de outros e de suas possíveis reações a determinadas situações ou assuntos. É a intimidade – relação muito próxima, amizade, familiaridade, aconchego, coleguismo, companheirismo, ligação, conhecimento profundo, convivência – que nos mostra quem realmente somos e pensamos e nos permite também conhecer pessoas com quem convivemos.

E tais conhecimentos do outro e de nós nos permitem escolher a forma de lidar bem com os atritos e situações desconfortáveis, ou seja, com os conflitos diários.

O autêntico crescimento pessoal só existe quando o indivíduo estabelece relações interpessoais – relações internas entre duas ou mais pessoas. O convívio social é importante para que o indivíduo seja realmente um ser social, ou seja, um ser que compartilha valores e crenças e que atua sobre o meio em que está inserido, ou seja, um ser capaz de provocar transformações no contexto em que vive. Neste contexto, segundo especialista, é a capacidade de agir sobre o meio ambiente que define a saúde mental de um indivíduo, sua capacidade de ser atuante e promotor de progresso e saúde, ao lado de outras pessoas.

O convívio em sociedade nos permite o autoconhecimento – virtudes e fragilidades –, o estabelecimento de limites, o compartilhamento de experiências. Portanto, o convívio social torna-se também necessário para a construção de quem somos e da nossa bagagem cultural. Aonde vamos, levamos nossos conceitos, opiniões, julgamentos, conclusões e experiências, e para resolvermos conflitos e experiências devemos ter paciência, tolerância, gentileza, saber ouvir o outro e expressar nossos argumentos, reconhecer as semelhanças e apreciar a diversidade social.

Assim, é papel dos responsáveis ensinar valores como respeito e civilidade, gentileza e convivência e, ainda, estar preparado para receber respostas e críticas, assim como lidar com opiniões e comentários maldosos e nada construtivos das redes sociais, que permitem agressões sem critérios e limites.

Em tempo do novo coronavírus, o convívio saudável e honesto é seguir rigorosamente os cuidados indicados pelo Ministério da Saúde. 

(*) Psicóloga Clínica
e-mail:
sandrasba@terra.com.br

 

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