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Foi destacado para atuar no setor de informações do fórum da Justiça local. Era pessoa muito sensível, já vivida

22/02/2020 - 00:00:00. - Por Ricardo Cavalcante Motta

 Foi destacado para atuar no setor de informações do fórum da Justiça local. Era pessoa muito sensível, já vivida. Na prática era visto como o porteiro. Quase não era notado. Por essa situação, tranquilo assistia diversos episódios. Muitas vezes era como se existência não tivesse. Ouvia conversas próximas de quem o ignorava como vivente. Tratavam de ajustes e transações muitas vezes tenebrosas. Percebia gana de vingança, arroubos de ambição, invejas, vaidades, eventualmente algum remorso emergia. Havia sempre muito lamento. Enfim, já podia notar até o invisível daqueles corredores do prédio. Muito desacerto de pendências por ausência de bom senso ou de boa-fé. E já chegara a conclusão que a Justiça só se consolidava quando havia acordo. A sentença, na realidade, nunca era plenamente justa, pelo menos para uma das partes, senão quando, muitas vezes, para nenhuma. Era apenas a imposição do Estado. Ele também já ouvia o inaudível naqueles vãos do fórum, o que, se fosse decifrado, assustaria muita gente, decepcionaria outras, desanimaria tantas. Contudo, a Justiça, como entendida pelo povo, concretizava-se firme sob o manto da aparente grandeza. Na sua plena pureza ninguém cria. Enfim, sabia que, embora o resultado do contexto tivesse efeito prático até eficiente, na verdade aquela casa não tinha em si a alma de Têmis. Os fantasmas que rondavam ali, muitos resgatando dores do passado, eram múltiplos e de vários propósitos. Certo dia, depois de assistir cena de dor e lamento da família de uma vítima, emocionado em seus sentimentos escreveu: ´"FÓRUM/ Sonhos que se dissipam nos corredores do fórum/ sonhos triturados cujos fragmentos são espalhados nos corredores do fórum/ lágrimas que escorrem nesses corredores de lágrimas/ sangue que jorra como em veias e artérias partidas nesses mesmos corredores/ pobres prejudicados pelos ricos/ ricos atingidos pela inveja, ou pelos bandidos/ dores de todos/ aflições manifestas em gritos contidos/ agonia/ angústia latente nos profissionais pela razão, pela solução/ anseio da conquista, da liberdade, do equilíbrio, da paz/ Mas realidade de lide, resistência de luta constante entre o bem e o mal, redigida em leis feitas também entre o bem e o mal/ HOMENS QUE DEUSES NÃO SÃO, JUSTIÇA QUE DE DEUS NÃO É!"

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