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Uberaba, 03 de abril de 2020 -

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Vida insensata

22/02/2020 - 00:00:00. - Por Dom Paulo Mendes Peixoto

Para que haja um verdadeiro entendimento sobre o sentido da insensatez, é preciso saber que ela é resultado da falta de bom senso, de ponderação no que faz, de imprudência no agir. É classificada também como atitude que pode levar a pessoa à loucura. O que é feito com desequilíbrio não faz bem para o ser humano e muito menos para quem procura viver construindo o bem. 

Toda pessoa tem uma história de vida. É uma construção de itinerário natural, edificando a base de sustentação para seu agir no tempo presente. Se essa construção foi bem feita, apoiada numa família bem estruturada, agregando valores positivos, principalmente aqueles baseados na justiça e na verdade, nos princípios do Evangelho, dificilmente a pessoa vai agir com insensatez.

Existe quem diz que a prática do cristão é uma insensatez, principalmente no tocante ao sentido moral de determinados atos. Significa não reconhecimento da presença misteriosa de Espírito de Deus na vida humana. O amor não pode ser egoísta e sem dimensão de eternidade. Ele ultrapassa os limites da nossa capacidade de amar e de reconhecer a presença de Deus nos relacionamentos.

As ciências que falam em harmonia nos relacionamentos ajudam na maneira de a pessoa lidar com o outro, com o irmão. Mas a base de tudo é o amor fraterno. Significa superar toda atitude de ódio, vingança, rancor, violência e entender que Deus está presente e atuando na vida do ser humano. A tendência natural deve ser de adquirir e construir uma vida sensata e perfeita.

As divisões, ou falta de amor fraterno, na vida concreta das comunidades, refletem atitudes de insensatez, que desestabilizam a harmonia entre as pessoas. Com facilidade começam a surgir as rivalidades, o ódio e a prática da vaidade. Muitos indivíduos acabam perdendo a sensibilidade, muito necessária, para com os diversos valores cristãos e não conseguem perceber a sabedoria divina.

Diante de muitas realidades indesejáveis na convivência, principalmente de violência, creio que o momento é de se encontrar novas formas éticas para construir um itinerário que fundamente uma conduta saudável na convivência social. A palavra de Jesus ajuda a construir um perfil de fraternidade. Ela fala de cancelar as inimizades e construir um amor gratuito, generoso e sem egoísmo. 

(*) Arcebispo de Uberaba

 

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