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2020 Conflitos de sempre

O início de 2020 manteve o ritmo conflituoso dos últimos tempos, agravados pela ação Trump

09/01/2020 - 00:00:00. - Por Karim Abud Mauad

O início de 2020 manteve o ritmo conflituoso dos últimos tempos, agravados pela ação Trump americana contra o regime dos  aiatolás iranianos. A morte do general Qasen Soleimani gerou ira e fúria dos povos do Oriente Médio, região historicamente explosiva. O contragolpe do Irã nas bases militares das forças de coalizão deixa o mundo em polvorosa. E isto tudo, por incrível que pareça, aconteceu no Iraque. Para piorar, no momento do ataque, Teerã assistiu à queda de um Boeing ucraniano. Não quero aqui entrar nas razões históricas, não quero retornar ao episódio da embaixada dos USA em 1979, não quero entrar nos aspectos religiosos, geopolíticos e até dos atos que envolvem a criação do Estado de Israel. Precisaria de mais de um artigo e de muito maior profundidade para entrar nestas questões. E desde o final de 2019 e, mais especificamente, desde 03/01/2020, estamos sendo bombardeados por artigos de jornais, noticiários na televisão, comentários de redes sociais, os mais variados possíveis, com interpretações e tendências as mais diversas que a imaginação alcança, mostrando o barril de pólvora que é a região, verdades e mentiras, fatos e boatos, prognósticos e tendências e toda a sorte de causas e efeitos destes episódios lamentáveis. 

Na minha ótica, o petróleo e a sede de poder explicam muito desses momentos.

A economia mundial, dependente do petróleo, e sendo a região detentora de algo próximo a 20% da produção consumida já seriam motivos suficientes para entender a preocupação de americanos e europeus pela região. Por conta disso, os embates entre potências se estendem e ocorrem lá também, ficando de um lado russos e chineses, defendendo Irã, Iraque, Síria e alguns mais, e na outra extremidade, a OTAN, Israel e aliados. Aqui também não precisamos entrar em detalhes, apenas constatarmos que as guerras, os ataques terroristas, as retaliações diversas entre nações, visam apenas o caráter de impulsionar e recuperar as atividades produtivas destes mesmos países. Os dados de crescimento mundial em 2019 não foram bons de maneira geral. 2020 carrega a mesma expectativa, com percentuais inferiores a 3%, sendo estes os menores índices de crescimento econômico desde a Grande Recessão de 2008. Cria-se assim o clima perfeito para pôr em ação as armas de Guerra.

Isto explica a sede de poder, pois a principal nação do mundo, que tem a moeda (dólar) e a máquina de combate mais preparada do universo, usa seu poder de polícia, para minimizar um processo de impeachment em curso, bem como uma disputa eleitoral que se inicia. Salve Presidente Trump. Da mesma forma, um Irã destruído financeiramente, enfrentando manifestações públicas de sua população para reativar uma economia combalida, encontra forças para sobreviver, enfrentando o inimigo vindo da América. Salve Aiatolá Ali Khamenei.

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No meio disto, ficamos em situação de expectadores neste mundo cheio de incertezas. E olha que temos incêndios na Austrália, fuga do executivo Carlos Ghosn do Japão, com resvalos até no Brasil. Nossa diplomacia se posicionou mal nestes últimos episódios. O que narrei aqui tem sido recorrente nestas últimas décadas, o que dificulta sempre a busca de um mundo melhor, mais justo e mais próspero para todos. Vamos esperar, ansiosos, o desenrolar destes próximos dias e torcer para que os “líderes mundiais“ tenham discernimento neste momento de conflitos, que os pronunciamentos feitos não disfarcem interesses escusos de alguns, sobrepondo e brincando com a vida de bilhões. O que está na Caixa Preta do Boeing ucraniano e o que está na Caixa Preta destes líderes podem ser revelados? 

(*) karim.mauad@gmail.com

 

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