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Por que não?

A ideia não deve ser inédita, mas, independente disso, a pergunta teima em ficar grudada

10/11/2019 - 00:00:00. - Por Tharsis Bastos

A ideia não deve ser inédita, mas, independente disso, a pergunta teima em ficar grudada em minha cabeça: por que não??? 

Estou me referindo ao inferno, ao verdadeiro inferno, complicado e escalafobético que acompanha a aquisição de um veículo novo.

Começa pelo manual do usuário. Em várias concessionárias já é praxe, tão logo consolidada a venda, vem o “agendamento para a aula de instruções”. Ou seja, você compra o produto e depois precisa de aula para utilizá-lo... A possibilidade (ou prazer) de ler seu manual à noite, no seu sofá ou na sua cama, sequer é cogitada. Sem falar na imensa e indesculpável grosseria de lhe dar uma aula por desacreditar nas suas possibilidades de aprender por si mesmo! Tudo bem! Com um pouco de paciência este obstáculo é superado. Afinal é uma aula apenas.

Bem pior são as tais “revisões programadas”. O Jorge Mário Bergoglio pode não surgir em sua janelinha aos domingos no Vaticano, a chuva pode não aparecer no carnaval, o chocolate pode sumir na Páscoa, mas a revisão programada... essa nunca falha! Periodicamente tomam seu carro e seu dinheiro, ou seja, você tem de pagar para ficar a pé. E na maioria das vezes, ainda te passam um “pito” por ter rodado uns poucos quilômetros além do recomendado. Meu carro anterior, o Vectra, estava já como eu mesmo, bem idoso, e ainda tinha revisões por fazer! Revisão dos 120 mil quilômetros!

Hoje, olhando as propagandas do caderno de veículos, cheguei à conclusão que o brasileiro é apaixonado por utilitários esporte, os “VUE”. (É assim que deveríamos chamar os SUV - "Sport Utility Vehicle ") Tem para todos os gostos – e todos os preços. Faltam-me elementos (ou neurônios) para entender o fenômeno. Estivesse vivo, Freud certamente explicaria...

Mas a verdade é que para qualquer carro, qualquer modelo, o prazer da compra de um zero-quilômetro vem sempre atrelado a um monturo infernal de complicações e deveres. Só quem tem grana disponível para suportar um sorridente despachante de veículos (por que eles são tão sorridentes?) é que sofre um pouco menos: - IPVA, placas, seguro obrigatório, taxas e o indefectível segundo seguro, o “desobrigatório-porém-obrigatório”...

É tanta dor de cabeça que juntamente com as chaves, essas concessionárias deveriam ser obrigadas a nos entregar um vidro de analgésicos.

A pergunta com que abri esse texto irá me acompanhar até o caixão: por que não nos vendem um carro já com tudo isso incluído? Dou até uma sugestão para este sistema: plug-and-drive! Eu sei que você irá dizer que os preços dos veículos seriam majorados, mas pra nós, consumidores, no fim das contas, não daria no mesmo?

Como seria bom sair da concessionária montado no seu zero-quilômetro pelo sistema “all included”!

Por que não??? 

(*) Jornalista

 

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