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Louco de amor

Encantou-se por ela, e acertou. Aguardou o momento da aproximação porque se sentiu correspondido em sua afeição

19/10/2019 - 00:00:00. - Por Ricardo Cavalcante Motta

Encantou-se por ela, e acertou. Aguardou o momento da aproximação porque se sentiu correspondido em sua afeição. Para conquistá-la demonstrou todo seu cavalheirismo e dedicação. Era um perfeito provedor, mas ao modo machista. Ela queria de fato um lar seu. Era órfã. Criada por refinada madrinha, ela adquiriu predicados e alimentou muitos sonhos. Casaram-se. Ela era mesmo especial. Tinha o pensamento iluminado, brilhava, irradiava amor e alegria. Ele era encantado por ela, porém sentia-se ofuscado. Era também um expoente, mas, machista, temia intimamente não emergir mais que ela, como seria de se esperar do alfa, pensava. Isso o incomodava. Inconscientemente tornou-se rival, em tudo que podia a tolhia. Todavia, ele passou a ser quase que dependente dos apontamentos dela. Toda vez que insistia em ousar sem ela, tomava a pior opção. Passou então a ser rude, impositivo, dominador, para se impor superior. Paciente, ela o compreendia. Ele, para se autoafirmar, criava situação de causar ciúmes. A relação foi se desgastando. Ela foi cansando daquela lida, embora do amor não se perdia. Ela adoeceu e faleceu. Zonzo, ele reconheceu sua ignorância, embora, a princípio, tenha negado. Tentou reagir. Casou-se novamente, mas não se completou. Separou-se e compreendeu que amava tanto quanto ela e que dependia de seu magnetismo. Então, constando a dimensão do amor que por sua culpa se perdeu, pois de tanto abafar é que ela, de tristeza, adoeceu e partiu, ele enlouqueceu. Somente na sua demência absorveu o amor que ao meio partiu. Reverberava em alto e bom som, dia e noite, o seu sentimento de amor e saudades, mas já era tarde para entender que não se deve postergar o exercício do amor.

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