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Drogas, lento suicídio

Lá se vão cinco anos desde que a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho Federal de Medicina

17/09/2019 - 00:00:00. - Por Gustavo Hoffay

Lá se vão cinco anos desde que a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Conselho Federal de Medicina promovem o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio: 10 de setembro! E mais que em outra qualquer data, novamente o ato de alguém infligir a morte em si mesmo é motivo de reflexão em meio à sociedade e especialmente para nós, cristãos, visto acreditarmos ser aquele ato uma das piores ofensas a Deus. E na humilde qualidade de agente prevencionista ao uso de drogas e auxiliar em trabalhos de reabilitação de alcoólatras e toxicômanos, há tempos me convenci de que o vazio existencial tem o triste poder de empalidecer e embotar a consciência de jovens, ao contrário de outros que cultuam valores e se desdobram em virtuosas atitudes, enquanto assistem brotar o que de nobre podem oferecer ao meio onde vivem. E aquele “vazio”, percebo, está muito mais presente na vida de quem desfruta de maiores afagos e comodidades oferecidas pelo mundo moderno, enquanto aqueles que realmente lutam pela sua sobrevivência e objetivando claros e nobres horizontes sentem-se sempre mais felizes e confortáveis. Ninguém educa ninguém sem a prática de um amor que exija a quebra da crosta de egoísmo, e duvido que haja uma escola melhor do que a própria vida, no sentido de aprendermos a valorizar a nossa própria existência, quanto mais se somados os obstáculos diversos, vencidos ao longo dos anos. Não é incomum em jovens que não procuram se aperfeiçoar em vista de enfrentamentos ou dificuldades diversas em seu cotidiano a desistência de nobres objetivos e, visto não terem ou não cultivarem uma necessária humildade e aceitação, o que lhes facilita a procura por saídas imediatas, porém perigosas e de muito pouca duração: as drogas, um falso lenitivo para quem se acovarda diante de dores suportáveis e transponíveis, não percebendo que Deus envia sempre a graça necessária para que a dor se transforme em algo salutar para o espírito. Todo jovem, especialmente, passa por situações que irão exigir-lhe força e discernimento, humildade e aceitação, para que aproveite e valorize ainda mais a graça da vida. Desistir dessa missão e entregar-se ao uso abusivo de drogas enquanto desprezando valores familiares e sociais e truncando a própria vida é uma das formas ainda mais covardes de lento suicídio, pois, além de, aos poucos, se deixar deformar física e mentalmente, ainda prejudica a vida daqueles que lhe são próximos. Suicídio é covardia e o uso de drogas é um atalho para quem deseja pôr término, mesmo que inconscientemente, à sua própria vida. 

(*) Agente social

 

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