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Leite materno é vida

Frequentemente, no consultório, é comum ouvir relatos de mães que dão chás, sucos ou água aos seus bebês

12/09/2019 - 00:00:00. - Por Tiago A. Fonseca Nunes

Frequentemente, no consultório, é comum ouvir relatos de mães que dão chás, sucos ou água aos seus bebês antes mesmo que completem os 6 meses de vida. A grande maioria, apegada à “experiência” de avós, tias, vizinhas, que fizeram o mesmo em gerações anteriores. Diria até que é algo cultural, encarado como uma tradição familiar.

Entretanto, não podemos deixar de reforçar sobre a importância do aleitamento materno exclusivo (do nascimento até os 6 meses) e seus benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê. Anualmente, a primeira semana de agosto é destinada à divulgação de informações que objetivam conscientizar as famílias (mães, pais) para a amamentação e, consequentemente, melhorar a saúde dos bebês.

A principal mensagem é que o leite materno é completo. Tem a composição nutricional (inclusive com água suficiente), metabólica e imunológica ideal, ajuda na redução da mortalidade infantil, previne doenças infecciosas, alérgicas e crônicas, além de auxiliar no desenvolvimento cognitivo do bebê. Para a própria mãe, o fato de amamentar de imediato ajuda a prevenir hemorragias pós-parto, reduz riscos de câncer, auxilia na perda de peso.

O aleitamento deve ser iniciado imediatamente após o nascimento e mantê-lo exclusivo até os primeiros 6 meses de vida. Somente após os 6 meses até 2 anos de vida, o aleitamento deve passar a ser complementado, ou seja, leite materno alternado com outros tipos de alimentos. Obviamente, ocorrem exceções em que deve ser contraindicada a amamentação, como mães portadoras de HIV, HTLV, por exemplo.

Outro ponto a ser considerado é a respeito do uso do leite de vaca. Muitas mães ofertam aos seus bebês sem saber das diferenças nutricionais, do aumento do potencial alérgico do leite da vaca, a baixa absorção do cálcio – se comparado com o leite humano –, a difícil digestão, aumento de cólicas abdominais e riscos de infecções.

Em suma, além das questões de saúde, a amamentação fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho. Aquelas que não possuem confiança para amamentar precisam do estímulo e do apoio do pai da criança, bem como da família e dos amigos. Portanto, todos devem ter acesso às informações sobre os benefícios do aleitamento materno. Tudo pela saúde dos nossos bebês!  

(*) Médico

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