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SINAIS DE FUMAÇA, e, onde há fumaça tem fogo!

Os sinais são claros e evidentes. Cabe-nos acreditar para gerenciar o que apenas o conhecimento possibilita

11/09/2019 - 00:00:00. - Por Ilcéa Borba Marquez

Os sinais são claros e evidentes. Cabe-nos acreditar para gerenciar o que apenas o conhecimento possibilita. Há pouco fomos alertados sobre uma carta originada na CNBB para ser lida após as missas e recebeu forte repercussão imediatamente após a leitura. Uma pessoa, participante do ato da santa missa, levantou pedindo a palavra e contestou veementemente a referida mensagem, com total adesão do público presente. O total conteúdo da carta não foi divulgado, mas sabemos também que toda vez que a contestadora citava Bolsonaro recebia calorosas palmas... Inferimos tratar-se de críticas ao atual governo e saudosismo ao passado recente. 

Agora, o Sr. João Pedro Stédile, que foi condecorado com a Medalha da Independência no governo Fernando Pimentel, aparece em vídeo, relatando sua presença no Vaticano como convidado para realizar palestra na Assembleia do Vaticano enquanto representante dos movimentos sociais como MST e congêneres e relatar a experiência brasileira de invasões destrutivas de propriedades rurais, bem como divulgar a atual proposta de ampliação da Reforma Agrária, que inclui uma reforma agrária urbana e popular. É bom lembrar que todos nós ouvimos, diversas vezes, o ex-presidente Lula ameaçar colocar nas ruas o “Exército do Stédile” para salvá-lo da prisão ou até mesmo o Partido dos Trabalhadores em todas as situações de risco que enfrentava.

Não é necessário muito esforço para unir os dois atos, que têm em comum se apoiarem na forte comunidade religiosa brasileira formada desde 1500 pelos jovens e abnegados Jesuítas, que aqui aportaram com um ideal de fazer nascer uma cultura social a partir dos valores da fé católica apostólica e romana, apoiados pelas inúmeras tribos indígenas espalhadas no continente brasileiro, consideradas puras de coração, sem os vícios da europeia – guerrilheira e destrutiva. Um ideal em total desacordo com a condição fundamental do homem, que em seu foro íntimo considera que a comunidade não pagou o que lhe deve, uma vez que sente a perda de seu bem mais precioso: a ilusão de completude e consequente entrada no campo da falta e do desejo humano.

O homem é sempre um beligerante em busca da retomada de uma ilusão estruturante e não racional. Está sempre lutando por uma hegemonia, uma ilusão arcaica que o estruturou enquanto ser da falta. A partir desta estrutura e da inquestionável situação dicotômica atual brasileira, os sinais de fumaça apontam o risco de uma cisão social e um confronto que poderá ser armado. A civilização que se sustenta como pretensão de uma sociedade justa torna-se impossível diante de dois grupos convictos de sua correção. 

(*) Psicóloga e psicanalista
E-mail:
ilcea@gmail.com

 

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