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Batman

Quando criança, gostava de fantasiar, como comum nessa idade, e assim se inspirava em algum herói real

07/09/2019 - 00:00:00. - Por Ricardo Cavalcante Motta

Quando criança, gostava de fantasiar, como comum nessa idade, e assim se inspirava em algum herói real ou da ficção. Passou por Pelé e Rivelino na copa do Tri, depois, por muito tempo, foi o Zorro lançando sua marca Z por todo lado, até que se definiu como o Batman. O justiceiro que vivia na batcaverna e sempre confrontava com o mal. Cresceu. A fantasia se foi. Contudo, sempre brincava com os filhos que era o Batman, mas sem qualquer ilusão de ser super-herói. Eles gostavam da brincadeira e vez ou outra  presenteavam o pai com uma miniatura do Batman ou com algum suvenir com a marca dele. Cresceram também os filhos. Certo dia, um dos filhos mandou forjar um símbolo do Batman em tamanho considerável e presenteou o pai já bem maduro. Este logo cuidou de colocar aquela peça em lugar de destaque na parede de sua casa. O outro filho, algo enciumado pela iniciativa do irmão, abordou o pai do motivo de realçar o símbolo daquele justiceiro americanizado, que agia às escondidas fazendo justiça com as próprias mãos. O pai respondeu serenamente. Vejo que cresceu meu filho, mas não ao ponto de não poder receber mais alguma lição. Comungo com  Saramago quando disse que queria ser um homem que não traísse a criança que foi. Então. Quando criança, o Batman para mim era apenas um herói, o símbolo do bem, da coragem pela busca da justiça. Inocentemente percebia apenas isso. As coisas se alteraram ao caminhar na vida, mas, para mim, esse emblema, que pode merecer todas as críticas cultas e adultas, é apenas o sentido de se manter viva a chama da pura infância, quando cultivava sonhos e esperança, quando nasceram projetos e objetivos, alguns até alcançados. Então, que sirva para mim esse escudo de recordação daquele tempo e para inspirar todos mais a soltar seus Batmen de suas cavernas, do âmago de seus seres, e viverem ainda a lúdica força das quimeras de criança, que jamais podem se apagar em definitivo. Que sonhem e que busquem até o fim algum novo querer para bem viver. Seja pelo Batman ou pela própria inspiração que tiverem.

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