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Uberaba, 22 de agosto de 2019 -

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Gratuidade e generosidade

Quem mais vivenciou e testemunhou a generosidade e a gratuidade foi Jesus Cristo

20/07/2019 - 00:00:00. - Por Dom Paulo Mendes Peixoto

Quem mais vivenciou e testemunhou a generosidade e a gratuidade foi Jesus Cristo. As duas palavras estão em afinidade com a capacidade de acolhida. Elas estão muito ligadas ao coração e ao sentimento das pessoas, de onde são originadas as práticas de maior afetividade na convivência. Quem assim age está superando todo tipo de preconceito e de discriminação, muito presentes na sociedade. 

O gesto de acolher é uma prática de hospitalidade. Jesus acolhia a todos que o procuravam, principalmente as pessoas mais sofridas, enfermas e abandonadas. O mesmo aconteceu com o bom samaritano do Evangelho. Ele encontrou alguém caído pelo caminho, todo ferido, curou suas feridas e o ajudou a se recuperar. Quem ama de verdade não deixa o irmão caído na beira da estrada.

Deus acolheu Abraão e lhe prometeu terra e descendência. O casal Abraão e Sara era estéril e, certamente, de idade bastante avançada, mas conseguiu entender a proposta do Senhor. Com isto se tornaram os nossos pais na fé, porque souberam acolher o pedido e a hospitalidade proposta por Deus. O que era impossível para eles, a geração de um filho, para Deus nada é impossível.

Viver a gratuidade e a generosidade é ter as portas sempre abertas para as pessoas. Assim eram as portas da casa de Abraão e Sara, aparecendo como paradigma de hospitalidade. Abraão acolhia a todos que chegavam, muitos anônimos, mesmo não conhecendo sua identidade, e atendia às suas necessidades, diminuindo seus sofrimentos. É nessas pessoas e na simplicidade que Deus se manifesta.

Jesus foi à casa de Marta e Maria e ali foi acolhido de forma fraterna pelas duas irmãs, também irmãs de Lázaro, que se comportaram com atitudes diferentes uma da outra. Marta mais agitada e preocupada com os afazeres da casa, para acolher bem o ilustre visitante. Maria se pôs aos pés de Jesus e o escutava com atenção. Ambas praticaram gestos de acolhida e generosidade.

Acolher as pessoas é acolher o próprio Deus, é acolher o outro no coração, com uma dimensão que ultrapassa o simples gesto de abrir as portas da casa para hospedar alguém. Na mentalidade individualista do mundo de hoje, essa prática exige das pessoas uma total mudança em suas atitudes, de tolerância, de fraternidade e de reconhecimento da dignidade que todas as pessoas têm. 

(*) Arcebispo de Uberaba

 

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