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Extra! Homens também choram e nem todos traem

Você já viu a nova propaganda da Gilette? Se ainda não, pega seu celular, assista e depois volte aqui para ler

05/02/2019 - 00:00:00. - Por Julia Castello Goulart

Você já viu a nova propaganda da Gilette? Se ainda não, pega seu celular, assista e depois volte aqui para ler. Diferente de muita coisa que passa em branco em discussões mais profundas, essa propaganda gerou bastante polêmica nas redes sociais. O número, que passa de milhares no Youtube, mostra que o vídeo foi muito assistido, mas também obteve muitos dislikes. 

Essa baixa “aprovação” pelas pessoas deixa explícita exatamente a crítica que a propaganda aborda. Eu sei que, a cada dia que passa, o “politicamente correto” ganha mais aversão das pessoas. No Brasil, talvez a explicação mais simples seja que, infelizmente, o politicamente correto foi ligado a um determinado partido ou, de forma mais abrangente, a uma ideologia. Então, hoje em dia, dependendo da roda de conversa que você está, meu amigo, deveria evitar dizer coisas como “politicamente correto” e “ideologia de gênero”.

A propaganda defende, sim, o politicamente correto, mas, mais do que isso, defende a liberdade do homem de não ter que se adequar a padrões machistas de comportamento e questioná-los, combatê-los. Para resumir, a propaganda mostra um menino sofrendo bullying, brigas entre meninos e entre homens mais velhos, homens apreciando e objetificando o corpo da mulher. Na segunda parte da propaganda, mostra homens evitando que essas situações, na minha opinião, cotidianas, mas lamentáveis, aconteçam. Homens que estão indo contra o famoso “isto é coisa de homem”, como se ter essas atitudes contra outros homens e mulheres, fossem aceitáveis. No final, mostra crianças. Meninos que veem as boas ações de bons exemplos masculinos e que vão ser homens melhores amanhã.

Eu achei a propaganda inovadora e emocionante. Mas ela incomodou muita gente. Uma das coisas é o politicamente correto. “Deixem os homens serem homens”, foi o comentário de muitos nas redes sociais. “Ah, essa geração do mi-mi-mi, que tudo é problematizado”, outros disseram. O segundo motivo que incomodou e que explica o porquê da propaganda ter sido tão inovadora e não ter nada de mi-mi-mi tem a ver com questionar exatamente os padrões que são impostos a nós, principalmente aos homens.

Homens não choram, homens têm que ser fortes, homens gostam de brigar, homens traem, homens não dançam e assim por diante. Homens, como as mulheres, são e deveriam ser livres para ser o que quiserem. Atitudes machistas para inflar o ego e a virilidade masculina devem, sim, ser questionadas. Já são pelas mulheres, através do movimento feminista. Está passando da hora dos homens questionarem e lutarem contra isso. A propaganda é inovadora por causa disso, depois de muito tempo, finalmente uma marca de produtos masculinos, decidiu finalmente dizer: sejam melhores do que isso. Infelizmente, ainda não estamos, ou melhor, muitos homens não estão preparados para isso.

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